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Entre o palco e o púlpito: o teatro de muitos políticos brasileiros

Discurso de santidade, vida de conveniência e a velha prática do “quanto pior, melhor” ainda contaminam a política nacional

Às vezes é inevitável parar e refletir: por que ainda convivemos com tantos políticos que parecem apostar no caos, no velho jogo do “quanto pior, melhor”?

Talvez a resposta esteja na própria formação da política brasileira. Durante muito tempo se disse que a política era um sacerdócio. Mas, olhando para a história, é difícil sustentar essa narrativa. Em muitos casos, o que existiu foi um reinado de sobrenomes.

Famílias que se revezam no poder como se o mandato fosse herança.
Bisavô foi, avô foi, pai foi, mãe foi, tio foi — e assim a política segue sendo tratada como patrimônio familiar.

Ao mesmo tempo surgem personagens que se apresentam como novidade. Dizem não ter sobrenome político, afirmam ser “filhos do povo”, defensores dos pobres e daqueles que nunca tiveram voz.

Mas, na prática, muitos acabam reproduzindo os mesmos vícios que dizem combater.

Existe também outro fenômeno curioso na política brasileira: o político personagem.

Durante o dia, aparece nas redes sociais e nos eventos como alguém completamente entregue à vida mundana — é festa, é axé, pagode, carnaval, São João, bebida, dancinha e exposição pública constante.

À noite, alguns desses mesmos personagens procuram templos religiosos tentando construir uma nova imagem, como se a fé pudesse funcionar como um escudo moral ou uma máscara pública.

Não se trata aqui de questionar fé ou religião — que devem ser respeitadas —, mas sim de refletir sobre a coerência entre discurso e prática.

Porque política séria não se constrói com figurino.

A verdade é que, enquanto muitos encenam papéis, quem decide o rumo do país continua sendo o eleitor.

E é aí que surge uma pergunta inevitável:

Será que temos políticos ruins ou também estamos falhando como eleitores?

Em breve o país voltará às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais.

Antes de entregar o voto — que significa dar poder a alguém por quatro anos — é preciso investigar.

Pesquisar a vida pública do candidato.
Saber quantos mandatos já teve.
Como foi sua atuação como vereador, prefeito ou deputado.
Se responde ou respondeu processos na Justiça.
Se há denúncias envolvendo desvio de dinheiro público ou irregularidades administrativas.

Hoje em dia, informação está a poucos cliques de distância.

Mesmo assim, muitos ainda preferem decidir o voto apenas por simpatia, emoção ou discurso.

E quando isso acontece, o resultado costuma ser conhecido: políticos que chegam ao poder, sentam na cadeira, pegam a caneta e passam a tratar o dinheiro público como se fosse propriedade privada.

Existe ainda outro detalhe que raramente aparece nos palanques: os cargos fantasmas e os apadrinhamentos políticos.

Quantos aliados, parentes e amigos não são acomodados em estruturas públicas simplesmente para alimentar redes de poder?

Por isso, talvez esteja na hora de cada cidadão despertar o investigador que existe dentro de si.

Aquele olhar atento que observa, questiona, pesquisa e fiscaliza.

Em outras palavras:
acordar o 007 que existe dentro de cada eleitor.

Porque democracia de verdade não se faz apenas votando.

Se faz vigiando também. 🕵️‍♂️📊

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