Barbosa expõe critério duplo do governo: “Se não posso em Cabedelo, por que Lucas pode no Estado?”

Ao desistir de candidatura, ex-deputado questiona a lógica da base governista, que veta seu nome por desempenho em pesquisas, mas mantém apoio a Lucas Ribeiro, que também não lidera a corrida pelo governo estadual.

O recuo de Ricardo Barbosa da disputa pela prefeitura de Cabedelo, anunciado na última quinta-feira (22), transcendeu a simples desistência e se tornou um ataque direto à coerência da base aliada do governador João Azevêdo (PSB). O mote da crise foi encapsulado em um questionamento contundente de Barbosa: se o critério para vetar sua candidatura é o fraco desempenho nas pesquisas locais, por que a mesma lógica não se aplica a Lucas Ribeiro (PP), que, segundo o próprio Barbosa, também não lidera as pesquisas para o governo do estado?

A crítica expõe um critério de “dois pesos e duas medidas” no coração do grupo governista. Em um vídeo que ganhou ampla circulação, o presidente da Companhia Docas da Paraíba compara abertamente sua situação em Cabedelo com a de Lucas Ribeiro no cenário estadual, sugerindo que a falta de apoio a seu nome não se baseia em dados, mas em uma decisão política que o pretere deliberadamente.

“A construção desse projeto – legítimo e ansiado, requeria, contudo, SOLIDARIEDADE, esforços convergentes de ideias, propósitos e, claro, de deliberação colegiada”, afirmou Barbosa em nota, uma crítica velada à falta de união e ao que percebe como um abandono por parte de seus aliados [1].

A decisão de rifar Barbosa pela segunda vez (a primeira ocorreu em 2024) parece ser motivada pelo medo de uma derrota simbólica na eleição suplementar de Cabedelo, marcada para 12 de abril. O pleito é visto como uma “prévia” para as eleições gerais de outubro, e um revés para um candidato apoiado pelo prefeito da capital, Cícero Lucena (MDB) — principal adversário de Azevêdo —, seria um golpe duro para o governo [3]. Cícero deve apoiar o prefeito interino, Edvaldo Neto, que já se beneficia da máquina municipal.

Diante desse cenário, a base governista optou por sacrificar Barbosa, mas o argumento utilizado — o desempenho nas pesquisas — foi prontamente transformado em um bumerangue pelo próprio ex-deputado. A sua declaração força o governo a lidar com uma contradição pública: por que o risco de uma derrota em Cabedelo justifica o abandono de um aliado, enquanto o mesmo risco, em escala estadual, é aceito na aposta em Lucas Ribeiro?

Enquanto o prefeito interino Edvaldo Neto classificou a desistência como “natural” e um movimento de Barbosa para focar em uma candidatura a deputado federal em 2026 [2], a ferida política está aberta. O questionamento de Ricardo Barbosa não é apenas o lamento de um candidato preterido, mas uma denúncia pública que abala a narrativa de unidade e força do grupo de João Azevêdo, sinalizando que as alianças para outubro são mais frágeis do que parecem.

Veja a entrevista: https://www.instagram.com/reel/DT1WgwijAWD/?igsh=ZTg2andzYTF2Z3Ax

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