Um episódio registrado na praia de Tabatinga, no Litoral Sul, escancara a ausência do Estado e a falta de fiscalização em uma das áreas mais visitadas da região. Ao chegar ao local com a família, a reportagem do Caveirão da Notícia presenciou uma situação que, na prática, configura coação e constrangimento ao cidadão.
Logo na entrada da praia, um homem passou a oferecer — de forma impositiva — uma sombrinha com quatro cadeiras e uma mesa pelo valor de R$ 80. Caso o visitante optasse por uma estrutura maior, o preço subia para R$ 120. A abordagem ocorreu sem qualquer alternativa apresentada, sob o olhar de outros trabalhadores que aparentavam já considerar a prática como algo “normal”.
O mais grave: não havia presença policial, tampouco fiscalização do Corpo de Bombeiros ou de órgãos municipais. A sensação era clara — terra sem lei, onde alguns se sentem donos do espaço público.
Responsabilidade do Estado e do Município
A situação expõe uma falha grave tanto do governo estadual quanto da gestão municipal, responsáveis pela segurança, ordenamento e fiscalização das praias. A omissão do poder público abre espaço para práticas abusivas que afetam diretamente moradores, turistas e a imagem do próprio destino turístico.
A reportagem destaca que Tabatinga não deve ser um caso isolado. Outras praias do litoral paraibano enfrentam denúncias semelhantes, resultado da ausência de fiscalização contínua e de políticas públicas eficazes para organizar o uso do espaço público.
Polícia fora das ruas e sensação de abandono
Enquanto isso, o Estado segue mantendo policiais militares em funções administrativas, como ajudantes de ordem em gabinetes de autoridades, atividades que poderiam ser exercidas por servidores civis. O reflexo é sentido nas ruas: efetivo reduzido, baixos salários e sobrecarga de trabalho para quem realmente está na linha de frente.
O resultado é visível: crescimento da sensação de insegurança, aumento de abusos e cidadãos cada vez mais desprotegidos.
Crítica construtiva e cobrança legítima
O Caveirão da Notícia reforça que a crítica não é pessoal. Reconhece acertos da atual gestão estadual, mas mantém sua postura independente: não existe compromisso com governo algum, e sim com a população que paga impostos e exige retorno.
“Policial foi preparado para estar na rua, garantir a paz, a tranquilidade e combater o crime — não para ocupar gabinetes climatizados enquanto a população fica exposta”, destaca a reportagem.
O espaço público pertence ao povo.
E quando o Estado se ausenta, o abuso ocupa.
O Caveirão da Notícia segue atento, cobrando, fiscalizando e dando voz a quem muitas vezes é silenciado.



