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Comentário crítico do repórter — neto de camelô, filho de camelô e genro de camelô

Eu falo aqui não apenas como jornalista, mas como alguém que conhece essa realidade de perto. Sou neto de camelô, filho de camelô e genro de camelô. Acredito muito e entendo a necessidade de todos trabalharem.

Se há muitos anos atrás o meu pai não tivesse passado por uma mudança de vida, talvez hoje eu e meus irmãos ainda fôssemos camelôs — uma função digna, honesta e que merece todo o respeito.

O trabalho é digno, é compreensível e é até bíblico, como diz a Palavra: todo trabalhador é digno do seu salário.

Mas a forma como está hoje a nossa orla é inconcebível. E não é só nas praias, não. Em alguns pontos do centro da cidade, a gente precisa disputar espaço com carros e com barracas. Está difícil caminhar.

Eu entendo a necessidade de todos trabalharem. Sou favorável ao trabalho, seja ele qual for. Mas também precisamos olhar para o direito das pessoas de ir e vir. Principalmente aqueles que nos visitam, os turistas, e nós mesmos, que somos daqui.

Hoje, está humanamente difícil andar na orla sem esbarrar em camelôs nas calçadas.

E deixo bem claro: não sou contra os camelôs, de forma alguma.
Até porque foi dali que veio o sustento da minha família por muitos anos.

Mas entendo que precisa haver organização e mudança. E isso já foi feito no passado.

Vamos voltar um pouco no tempo. Quando o então prefeito Cícero Lucena administrou a capital pela primeira vez, ele enfrentou esse problema no centro da cidade e trouxe uma solução concreta: criou espaços adequados para os trabalhadores, como o Shopping Terceirão e o Shopping do Varadouro, além de outros centros comerciais populares.

Esses locais deram dignidade aos comerciantes, organização à cidade e mais conforto para a população.

Hoje, acredito que esse é um grande desafio para o atual prefeito Léo Bezerra — encontrar um caminho equilibrado, que respeite o trabalhador, mas também organize os espaços públicos.

Porque quando há organização, todos ganham:
• A cidade ganha
• Os camelôs ganham
• A população ganha
• E os turistas também ganham

Ter um local estruturado, mais barato, acessível para fazer compras e se alimentar é bom para todos. Mas também precisamos ter a calçadinha livre, segura e acessível para caminhar.

Fica aqui a reflexão e a contribuição de um neto de camelô, filho de camelô e genro de camelô — alguém que conhece essa realidade e que acredita que é possível organizar sem perseguir, respeitar sem desordenar e trabalhar com dignidade.

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