Esta semana vimos algo extraordinário acontecer em nosso estado. Algo que, por muito tempo, parecia existir apenas em filmes de ficção. Mas vale lembrar que, depois de obras como o filme Tropa de Elite, a sociedade passou a compreender melhor uma realidade que muitos profissionais da segurança pública já conheciam: os verdadeiros homens e mulheres de bem não fecham os olhos para os erros, nem mesmo quando eles acontecem dentro das próprias instituições.
Falo de policiais experientes que fiscalizam seus próprios companheiros de trabalho. E não vou chamá-los de colegas ou amigos. Parafraseando uma frase que ouvi do delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, doutor André Rabelo: não é bacana ter amigo traficante, bandido ou covarde. Certa vez contei isso a ele, e demos boas risadas.
Lembro que, ainda no início da minha trajetória como repórter policial, alguns jovens foram presos em minha cidade, justamente no bairro onde moro até hoje. O delegado responsável pela ocorrência era um grande amigo meu. Durante o interrogatório, os rapazes disseram que me conheciam desde a infância e afirmaram ser meus amigos.
O delegado então me telefonou e pediu que eu comparecesse à delegacia. Quando cheguei, ele perguntou se aquilo era verdade. Respondi sem hesitar:
— Doutor, são meus amigos de infância. Desde pequenos brincávamos de polícia e ladrão. Eles sempre quiseram ser o ladrão. Eu sempre escolhi ser a polícia. E continuo, de certa forma, ao lado dos senhores, defendendo aquilo que é certo.
Ao longo da minha vida, escolhi estar ao lado da polícia justa, correta e verdadeira.
Ser repórter policial não significa concordar ou discordar de governos. Significa estar ao lado das instituições e dos profissionais que honram suas missões. É por isso que sou defensor da Polícia Militar, da Polícia Civil e de todos os órgãos de segurança que trabalham honestamente em favor da população.
É reconhecer o esforço de homens e mulheres que, diariamente, enfrentam dificuldades para nos proporcionar paz, segurança e tranquilidade. Sabemos que os desafios não são exclusivos da Paraíba. Eles existem em todo o país.
Entretanto, muitas vezes ouvimos comentários irresponsáveis nas ruas, nas redes sociais ou em grupos de mensagens. Algumas pessoas, na busca por curtidas, seguidores ou fama, acabam generalizando problemas e desmerecendo instituições inteiras.
Eu não sigo esse caminho.
Prefiro ser justo. Prefiro apresentar os fatos como eles são: crus, diretos e verdadeiros, doa a quem doer.
Escolhi citar o delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, doutor André Rabelo, porque acompanho sua trajetória e conheço parte de sua história. Ainda muito jovem, quando integrava a Polícia Civil de Pernambuco, participou de uma ocorrência marcante: a libertação de um jovem mantido em cativeiro durante dias. Aquela experiência marcou sua vida e sua carreira.
Já como delegado na Paraíba, enfrentou desafios em diversas regiões do estado. Em uma cidade do Sertão, ajudou a interromper uma antiga sequência de crimes motivados por vinganças familiares, uma história conhecida pelo chamado “mata-mata”. Uma realidade que parecia não ter fim até a atuação firme das forças de segurança. O caso ganhou repercussão nacional.
Em Campina Grande, participou de ações importantes no combate a quadrilhas especializadas em ataques a bancos e carros-fortes. Mais tarde, em João Pessoa, acompanhou o fortalecimento de operações contra organizações criminosas.
Recentemente, o estado assistiu a uma demonstração clara de que ninguém está acima da lei. Quando surgiram indícios contra integrantes da própria instituição, a resposta veio com firmeza. Porque existe uma enorme diferença entre o servidor público comprometido com a sociedade e aquele que trai sua missão.
O verdadeiro delegado, policial ou agente público é aquele que honra o juramento que fez ao assumir o cargo: servir à sociedade com honestidade, coragem e integridade.
Ao citar doutor André Rabelo, não poderia deixar de mencionar outros dois nomes importantes da Polícia Civil da Paraíba: doutor Jean Nunes e doutor Cristiano Santana. Ambos participaram de momentos importantes da construção da segurança pública em nosso estado. Afinal, ninguém faz nada sozinho.
Da mesma forma, é justo reconhecer a atuação da delegada-geral adjunta, doutora Cassandra Duarte, que integra a atual gestão da Polícia Civil ao lado do doutor André Rabelo.
Também não seria correto ignorar a participação do poder público na construção dessas políticas de segurança. Governos passam, mas as ações de fortalecimento institucional dependem da união de esforços. Por isso, reconheço a contribuição do ex-governador João Azevêdo e do atual governador Lucas Ribeiro para o fortalecimento das instituições de segurança da Paraíba.
É claro que ainda há muito a ser feito. A valorização salarial dos profissionais da segurança pública continua sendo uma pauta necessária. Policiais civis, policiais militares, bombeiros e demais agentes merecem reconhecimento compatível com a importância de suas funções.
Mas é preciso dizer com clareza: nem tudo está perdido.
Quando um servidor público comete um crime e é responsabilizado por isso, não significa que a instituição inteira está contaminada. Significa justamente o contrário. Significa que os mecanismos de controle funcionaram.
Foram retiradas algumas laranjas podres da caixa. E elas foram colocadas exatamente onde devem estar: à disposição da Justiça.
Recentemente, durante entrevista concedida à Rádio CPAD FM 96,1, o coronel Sobreira fez uma observação importante. Em nenhum momento ele generalizou ou afirmou que as instituições estariam dominadas pelo crime. O alerta feito por ele dizia respeito ao avanço das facções criminosas em determinadas regiões do país, especialmente em estados onde o problema já alcançou níveis preocupantes.
Aqui na Paraíba, continuamos contando com uma Polícia Militar e uma Polícia Civil destemidas, capacitadas e preparadas para defender a sociedade.
Se olharmos para a história dessas instituições, encontraremos inúmeros exemplos de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à segurança pública e deixaram seus nomes marcados pela honra e pelo compromisso com a população.
Por fim, deixo um conselho aos colegas mais jovens da imprensa policial.
Não sacrifiquem a verdade em troca de curtidas. Não tentem construir fama desmerecendo instituições inteiras por causa dos erros de alguns indivíduos. Criticar quando necessário é obrigação do jornalismo. Reconhecer os acertos também.
Eu sou Emerson Medeiros.
O Caveira da Notícia.
E não vim para agradar. Vim para apontar aquilo que considero correto, denunciar aquilo que está errado e defender a verdade.
Porque, afinal de contas, 31 anos não são 31 dias.



Respostas de 2
As pessoas vivem no futuro o que plantaram no passado. Isso se chama consequência. Nosso Caveira ta colhendo o que fez no seu passado, só coisa boa. Parabéns, meu irmão.
As pessoas vivem no futuro o que plantaram no passado. Isso se chama consequência. Nosso Caveira tá colhendo o que fez no seu passado, só coisa boa.