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UM PREFEITO NO CANTEIRO DE OBRAS: LÉO BEZERRA E O JEITO DE GOVERNAR DE QUEM APRENDEU, MAS NÃO COPIA

Há uma diferença importante entre ocupar a Prefeitura e estar presente na Prefeitura. E talvez seja justamente aí que esteja uma das marcas que começam a aparecer no jeito de governar de Léo Bezerra.

A imagem do prefeito acompanhando de perto as obras da Escola Dom Adauto, em Jaguaribe, ao lado de estudantes, diz muito mais do que parece. Não é apenas uma visita protocolar. É o gestor indo ao local, olhando o que está sendo feito, conversando com quem vai utilizar o equipamento e conferindo, in loco, aquilo que muitas vezes chega à mesa do prefeito apenas através de relatórios.

A Escola Dom Adauto, com 76 anos de história, está passando por uma ampla reestruturação, com preservação de elementos históricos e implantação de novos espaços, incluindo salas de aula, melhorias no ginásio, ambientes tecnológicos e espaço maker. O investimento informado é superior a R$ 5 milhões.

Mas existe algo por trás dessa fotografia que merece uma leitura mais política — no sentido administrativo da palavra.

Léo Bezerra não surgiu do nada.

Ele carrega uma escola política familiar. É filho de Hervázio Bezerra, tem como tio Odon Bezerra, e construiu sua própria trajetória: foi vereador de João Pessoa, vice-prefeito e, desde abril de 2026, assumiu oficialmente a Prefeitura da Capital.

E aí está o detalhe interessante: herança política não significa necessariamente repetição de comportamento.

Léo parece ter entendido uma coisa que muitos gestores demoram a perceber: você pode aprender com quem veio antes sem deixar de construir sua própria identidade.

De seu pai, pode-se enxergar a experiência política e o conhecimento dos caminhos da administração pública. De seu tio, a convivência com o universo jurídico e institucional. E de sua trajetória ao lado de Cícero Lucena, durante o período em que foi vice-prefeito, veio uma experiência direta de gestão que hoje ele leva para o comando da cidade.

O próprio Léo já declarou publicamente que acompanhou, ainda jovem, a trajetória de Cícero e citou a influência de seu pai e de seu tio nesse processo.

E talvez seja exatamente por isso que exista uma característica perceptível nesse novo momento: Léo aprendeu a importância de colocar a equipe para trabalhar, mas também aprendeu que prefeito não pode governar apenas de dentro de um gabinete.

É preciso ir à rua.

É preciso olhar a obra.

É preciso conversar com estudante.

É preciso ouvir servidor.

É preciso saber se aquilo que foi planejado no papel está funcionando na prática.

E isso não significa abandonar o estilo administrativo que marcou a gestão anterior. Pelo contrário. A própria posse de Léo foi apresentada como continuidade de ações iniciadas durante a administração de Cícero Lucena, ao mesmo tempo em que o novo prefeito assumiu o compromisso de avançar em outras frentes.

Mas continuidade não precisa significar cópia.

Esse talvez seja o ponto central.

Cícero deixou uma maneira própria de administrar. Léo conviveu com esse modelo, participou da gestão, acompanhou decisões, esteve presente em obras e projetos e agora começa a imprimir sua própria maneira de ocupar o cargo.

É como se tivesse recebido uma caixa de ferramentas — mas estivesse escolhendo, à sua maneira, quais ferramentas utilizar.

E tem mais: quando um prefeito aparece ao lado de estudantes, como aconteceu na Dom Adauto, a fotografia ganha outro significado. O gestor deixa de olhar somente para o concreto, o cimento e a estrutura física e passa a enxergar quem vai receber aquilo depois da obra pronta.

No caso da Dom Adauto, a Prefeitura informa que cerca de 800 estudantes serão beneficiados pela reestruturação, que foi planejada em etapas para evitar a interrupção das aulas.

É aí que está o Léo que começa a aparecer.

Filho de político, sobrinho de político, ex-vereador, ex-vice-prefeito e agora prefeito.

Mas, acima de tudo, um político de uma nova geração tentando construir seu próprio capítulo dentro de uma história familiar e administrativa que já possui capítulos importantes.

E talvez essa seja a grande leitura dessa fotografia:

Léo não está apenas herdando uma Prefeitura. Está tentando mostrar como pretende conduzi-la.

Com referências do passado, experiência adquirida ao lado de Cícero Lucena, ensinamentos familiares e, principalmente, um estilo que começa a ganhar identidade própria.

Porque governar não é apenas escalar secretários e assinar documentos.

Governar também é sair do gabinete, colocar o pé no chão e perguntar: “Está ficando do jeito que deveria?”

E, pelo menos nessa imagem da Escola Dom Adauto, o prefeito parece querer fazer exatamente isso.

O tempo, naturalmente, é que vai registrar os resultados. Mas a fotografia já registra o método: aprender com quem veio antes, respeitar a história e tentar fazer do seu jeito.

CAVEIRÃO DA NOTÍCIA — COMENTÁRIO DA REDAÇÃO

No mundo da política, sobrenome abre portas. Mas não percorre corredor de escola, não fiscaliza obra e não conversa com estudante. Quem faz isso é o gestor.

E Léo Bezerra tem agora o desafio de transformar a experiência que recebeu em uma marca administrativa que seja reconhecida como sua.

Porque herdar uma história é fácil. Difícil é escrever o próximo capítulo.

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