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COMENTÁRIO DA REDAÇÃO DO CAVEIRÃO DA NOTÍCIA

A polícia faz a parte dela. E faz muito bem. Mas até quando?

O caso registrado em Santa Rita, com a prisão de um homem de 26 anos encontrado com um aparelho celular roubado durante uma ação criminosa em Guarabira, traz novamente à discussão uma realidade que não pode ser ignorada: o trabalho incansável das forças de segurança pública e os desafios que continuam existindo para garantir segurança à população.

O Caveirão da Notícia faz questão de enaltecer, nesta ocorrência, o trabalho realizado pelos policiais civis do Grupo Tático Especial (GTE) da 5ª Delegacia Seccional de Polícia Civil, sediada na Terra dos Canaviais, em conjunto com os policiais militares da Força Tática do 7º Batalhão de Polícia Militar (7º BPM) e todos os demais profissionais que participaram direta ou indiretamente da ação.

É importante reconhecer: enquanto grande parte da sociedade está dormindo, trabalhando ou convivendo com suas famílias, homens e mulheres das forças de segurança estão nas ruas, investigando, patrulhando, abordando, prendendo e recuperando bens roubados. Muitas vezes, fazem isso colocando a própria vida em risco.

Neste caso, o trabalho integrado permitiu rastrear o aparelho, localizar o suspeito em Santa Rita e confirmar, por meio do IMEI, que o celular era o mesmo roubado dias antes em uma joalheria no Centro de Guarabira. É uma resposta concreta da polícia à sociedade.

E aqui fica o nosso reconhecimento especial aos homens e mulheres do 7º BPM e da Polícia Civil da Paraíba, que cumpriram sua missão. A integração entre investigação e policiamento ostensivo demonstra que, quando as instituições trabalham de forma coordenada, o resultado chega às ruas.

Mas esta ocorrência também nos obriga a olhar para uma questão maior.

O suspeito, segundo a própria Polícia Civil, utilizava tornozeleira eletrônica e respondia por tráfico de drogas. Isso levanta um debate que precisa ser feito com seriedade: qual é a efetividade das políticas de ressocialização, monitoramento eletrônico, cumprimento de penas e prevenção da reincidência criminal no Brasil?

Não se trata de condenar antecipadamente ninguém. Cabe à Justiça analisar os fatos, garantir o devido processo legal e decidir as medidas cabíveis. Mas a sociedade tem o direito de perguntar, cobrar respostas e discutir se o modelo atualmente adotado está conseguindo cumprir aquilo que dele se espera.

Porque não é justo que o cidadão de bem tenha que viver atrás de grades, trancas, câmeras e cercas, enquanto criminosos continuam encontrando maneiras de voltar às ruas e praticar novos delitos.

Também não podemos esquecer as vítimas. Os trabalhadores da joalheria de Guarabira que passaram pelo momento de terror, assim como tantos comerciantes, empresários, agricultores, trabalhadores e famílias que diariamente convivem com o medo de perder aquilo que conquistaram com anos de trabalho.

E essa realidade não pertence apenas a uma cidade ou a um estado. É uma questão nacional.

Quem trabalha no comércio sabe o peso de manter uma empresa funcionando. Além de impostos, encargos, funcionários e todas as dificuldades próprias de quem empreende, ainda existe o medo constante de ser assaltado, ter seu patrimônio levado e colocar a própria vida em risco.

Por isso, quando a polícia recupera um bem roubado e prende um suspeito, não estamos falando apenas de uma ocorrência policial registrada em um boletim. Estamos falando de uma resposta ao cidadão que foi vítima.

E é exatamente por isso que o Caveirão da Notícia reconhece e parabeniza todos os policiais envolvidos nesta ação.

Aos policiais civis do GTE da 5ª DSPC, aos policiais militares da Força Tática do 7º BPM e a todos os profissionais que contribuíram para que essa ocorrência tivesse êxito, fica o nosso respeito.

Vocês fizeram aquilo que a sociedade espera de uma força de segurança: investigaram, localizaram, abordaram, prenderam e recuperaram.

Mas também precisamos discutir o que acontece depois.

A segurança pública não termina no momento da prisão. Ela passa pela investigação, pelo Ministério Público, pelo Poder Judiciário, pelo sistema prisional, pelo acompanhamento daqueles que cumprem medidas alternativas e por políticas efetivas de prevenção e ressocialização.

Se uma pessoa volta ao convívio social e novamente se envolve com o crime, precisamos perguntar onde o sistema está falhando — sem transformar essa pergunta em julgamento antecipado do caso concreto.

O Brasil precisa discutir segurança pública com responsabilidade, sem maquiagem e sem discurso pronto.

Precisamos de policiais valorizados, estrutura adequada, inteligência, investigação, prevenção, sistema prisional eficiente e políticas públicas capazes de reduzir a reincidência.

E precisamos, sobretudo, ouvir quem está nas ruas.

Porque quem sente o medo não é o discurso.

É o trabalhador. É o comerciante. É a mãe. É o pai. É o agricultor. É o homem do campo. É o sertanejo. É a família que fecha a porta de casa à noite sem saber o que pode acontecer no dia seguinte.

O poder, no final das contas, é passageiro.

Cargos passam. Mandatos passam. Governos passam. Autoridades passam.

Mas o povo fica.

E é ao povo que todas as instituições devem servir.

Que esta ocorrência sirva, portanto, para duas coisas: primeiro, para reconhecer e valorizar o trabalho dos policiais que colocaram a própria segurança em risco para dar uma resposta à sociedade; segundo, para lembrar que ainda existe um longo caminho a percorrer para que o cidadão possa viver sem medo.

Parabéns aos homens e mulheres do 7º BPM e da Polícia Civil da Paraíba envolvidos nesta ocorrência.

O trabalho de vocês merece respeito.

E que a sociedade nunca se esqueça:

segurança pública também se faz com reconhecimento a quem está na linha de frente.

— Redação do Caveirão da Notícia

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