Professor da UEPB chegou a apontar Lucas Ribeiro como o candidato mais fraco entre os postulantes e projetou um eventual segundo turno entre Cícero Lucena e Efraim Filho
No mundo da política, análise, pesquisa e projeção fazem parte do jogo. Mas a eleição deste domingo (4) deixou uma lição que deveria ser lembrada por todos aqueles que se aventuram a interpretar antecipadamente o comportamento do eleitor: o jogo só termina quando as urnas são fechadas e os votos são contabilizados.
Durante a campanha, o estatístico e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Pedro Coelho, ganhou notoriedade ao analisar o cenário eleitoral paraibano e, em declarações que circularam em vídeos e podem ser conferidas publicamente, chegou a apontar o governador Lucas Ribeiro como o candidato mais fraco entre os cinco postulantes inicialmente considerados na disputa.
Em outro momento, Pedro Coelho também trabalhou com um cenário hipotético de segundo turno entre Cícero Lucena e Efraim Filho.
As análises faziam parte de um cenário eleitoral que, como todo processo político, estava sujeito a mudanças. O eleitor, entretanto, apresentou nas urnas uma realidade bastante diferente das projeções feitas naquele momento.
Lucas Ribeiro não apenas chegou ao segundo turno — sequer houve segundo turno.
O governador foi reeleito ainda no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, contra 24,18% de Efraim Filho e 11,06% de Cícero Lucena.
A força dos números
É importante registrar que as pesquisas eleitorais mais próximas da votação já apontavam uma vantagem expressiva de Lucas Ribeiro. Levantamento Quaest realizado nos dias 2 e 3 de outubro indicava o governador com 61%, Efraim com 23% e Cícero com 16% dos votos.
Uma pesquisa Certifica, realizada entre 26 e 30 de setembro, também apontava Lucas na liderança, com 62% dos votos válidos, contra 20% de Efraim e 17% de Cícero.
Ou seja: conforme a campanha avançou, o cenário foi ficando cada vez mais claro.
Mas é justamente aí que entra a reflexão da redação do Caveirão da Notícia.
COMENTÁRIO DA REDAÇÃO
É muito fácil analisar política olhando pelo retrovisor. Difícil é reconhecer que a política é dinâmica e que o eleitor é o verdadeiro dono da decisão.
Nós mesmos, aqui no Caveirão da Notícia, em alguns momentos também fizemos nossas análises, avaliações e projeções sobre os caminhos que a eleição poderia tomar. Faz parte do jornalismo e do debate democrático.
Mas uma coisa precisa ficar muito clara: análise não é sentença, pesquisa não é resultado e projeção não é voto.
O eleitor pode mudar de opinião. Uma campanha pode crescer. Outra pode perder força. Um candidato pode cometer um erro decisivo ou apresentar uma proposta que mude completamente o jogo.
Por isso, a eleição de 2026 deixa uma lição para todos nós — jornalistas, analistas, estatísticos, políticos e eleitores:
não existe eleição ganha antes da hora e não existe eleição perdida antes de a urna ser aberta.
Pedro Coelho fez suas análises. Nós fizemos as nossas. Outros analistas também fizeram as deles. E o eleitor fez a sua parte no momento decisivo: foi às urnas e escolheu.
E a escolha foi inequívoca.
Lucas Ribeiro, que chegou a ser apontado em determinada análise como o candidato mais fraco entre os postulantes, terminou a disputa reeleito no primeiro turno, com mais de 64% dos votos válidos.
Não se trata de desmerecer quem analisa. Pelo contrário. A análise é importante e necessária. O que não podemos fazer é confundir análise com certeza absoluta.
Porque, na política, há uma regra que continua valendo acima de todas as projeções:
o jogo só termina quando as urnas são fechadas.
E, depois que as urnas são fechadas, quem fala mais alto não é o analista, não é o jornalista, não é o político e não é a pesquisa.
É o eleitor.

