Quase cinco mil pessoas matriculadas na Educação de Jovens e Adultos de João Pessoa realizam sonho de estudar

Quase cinco mil pessoas matriculadas na Educação de Jovens e Adultos de João Pessoa realizam sonho de estudar
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Quase cinco mil estudantes realizando o mesmo sonho: ter acesso à educação e, consequentemente, a mais dignidade. Essa é a matemática da rede municipal de ensino da Capital que muda a história de 4.835 estudantes matriculados no ensino básico da Educação de Jovens e Adultos (EJA).  

A estatística é celebrada pela chefe da Divisão da EJA, da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec-JP), Socorro Diniz, que ressalta a importância do programa educacional como reparador da garantia ao acesso à educação, além de ser equalizadora e qualificadora.  

A EJA atende jovens a partir dos 15 anos e pessoas que não concluíram os estudos na idade certa, de forma que possam ser alfabetizados, bem como concluir o fundamental e o ensino médio.      

Quem está dentro entre os matriculados e comemora o fato de viver uma nova realidade é Maria das Dores Pereira, 56 anos, aluna da Escola Municipal Edme Tavares, no Bairro das Indústrias, que fica bem pertinho da casa dela. A aluna conta que, quando criança, não teve chance de estudar. Hoje aproveita a oportunidade para aprender a ler e escrever e não depender de terceiros para tomar simples decisões na vida, como assinar o próprio nome ou pegar um ônibus para voltar para casa sem perguntar a ninguém.  

“É muito bom aprender porque, somente assim, podemos ser independentes. Saber ler sem pedir a ninguém para fazer isso por você, chegar numa farmácia e pedir o que está na receita, assim como saber o endereço para onde vou é muito importante. Só de pensar nisso, mesmo quando chego em casa cansada do trabalho, tenho forças para ir à noite à escola, que é bem perto da minha casa. O professor [Bruno Hercílio] é maravilhoso, tem muita paciência para ensinar e é outro incentivo para a gente não se abater diante das dificuldades na vida e na sala de aula”, declara.  

Paula Adriana dos Santos, 50 anos, aluna também da Edme Tavares, conta que estudou até os 12 anos. No entanto, a mãe ficou muito doente e ela e o irmão foram obrigados a parar de estudar para trabalhar e ajudar nas despesas de casa. O tempo passou e, agora, com um neto de apenas três anos, Paula encontrou um motivo a mais para voltar à sala de aula.  

“Aos 14 anos, casei e, aos 18 anos, tive filhos. Depois que eles nascem não dá para estudar. Quando cresceram voltei à sala de aula, mas desisti outra vez porque o marido não gostava. Agora voltei a estudar e não vou parar. Sei que podia ter aprendido mais, mas nunca é tarde. Agora tenho um netinho de três anos que se chama Pedro e voltei a estudar para ensinar para ele alguma coisa. Estou muito feliz com essa oportunidade de ser aluna da EJA”, relata.  

Com um sorriso estampado no rosto, o professor da turma de alfabetização da EJA, da Escola Edme Tavares, Bruno Hercílio, celebra a mudança na geografia de vida de suas alunas. Ele narra o quanto é muito gratificante ensinar esse público que por algum motivo não pôde estudar no tempo regular e hoje está dentro de uma sala de aula correndo atrás do tempo perdido.   

“Ensiná-los a ler, ter autonomia para conhecer o alfabeto, formar palavras e produzir texto e não depender de ninguém para isso é libertador. É muito importante formar cidadãos, trazer questões coletivas para discutir, através do audiovisual e da literatura, que são elementos que envolvem a sociedade. É preciso ter um tato para isso, porque é um público que geralmente é vulnerável. Quem está nesse processo de ensinar sabe disso e se orgulha quando vê essas coisas acontecendo. É muito legal!”, explica.   

EJA na Emlur – A professora Leoneide de Brito Coutinho, que atua na EJA há 11 anos, também sente orgulho de atender as necessidades desse público e ressalta a alegria de fazer parte do projeto de alfabetização adotado pela Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), que funciona no anexo da Escola Hugo Moura, dentro da própria Emlur, no Bairro dos Estados.  

“O projeto surgiu para que os funcionários fossem alfabetizados e pudessem assinar o ponto. Deu tão certo que hoje eles não só fazem isso, já tiraram a Carteira de Habilitação, leem a Bíblia e conseguem trabalhar. É muito gratificante trabalhar e poder divulgar que na rede municipal de João Pessoa tem EJA e que as pessoas podem concluir seus estudos, enriquecer os conhecimentos e melhorar a autoestima. Meu trabalho é uma troca de experiência. Eu procuro me capacitar para levar o conhecimento de acordo com a vivência do aluno e eles também trazem o conhecimento deles para mim. É uma troca muito boa”, comemora.         

Uma das alunas que fazem parte da turma da Emlur é a aposentada Maria do Socorro Mendes, 60 anos.  Ela disse que achou formidável esse olhar da Prefeitura para com os funcionários. “Trabalhei 32 anos na Emlur e me aposentei lá e, agora, graças a esse projeto posso estudar. Hoje já sei ler e escrever meu nome que aprendi com a professora Leoneide, que é muito boa. Agora posso andar pelas ruas sem medo de não saber onde estou e sem dependência para acertar o caminho de volta para casa”, ressalta.  

Adilson de Souza Santos, 58 anos, da turma da EJA na Emlur, também enaltece achance que a empresa deu para os funcionários se alfabetizarem através desse projeto. “Já sei fazer meu nome e estou satisfeito com a professora Leoneide que está me ensinando a ler, pelo menos escrever meu nome. Eu sempre abandonava o colégio e me arrependi muito. Agora, só tenho a agradecer pela oportunidade a atual gestão”, acrescenta.  

Outro que também expressa sua gratidão ao município é o senhor Amadeu Palmeira, 54 anos, mais um estudando do projeto da Emlur.Agradeço muito a Deus por chegar a Emlur e hoje ter essa oportunidade. A professora Leoneide é ótima, me ensinou a escrever meu nome. Eu não pude estudar quando pequeno e agora já consigo ler. Sigo aprendendo”, frisa.  

Benedita Maria de Sousa do Nascimento, 65 anos, colega de turma de seu Amadeu, disse que está cada dia aprendendo mais um pouco. “Já sei escrever meu nome e ler para poder pegar meu ônibus para vir trabalhar. A professora Leoneide é muito boa e nos ajuda muito. Mais nova estudei e não levei a sério e agora estou podendo reparar meu erro graças a esse projeto”, finaliza.  

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