Dor, revolta e reflexão: quando a polícia prende e o sistema solta

João Pessoa (PB) — Eram exatamente 1h56 da madrugada quando uma reflexão inevitável se impôs diante da dor vivida pelo comandante-geral da Polícia Militar da Paraíba e por toda a tropa que diariamente está nas ruas fazendo cumprir a lei.

Há dores que só quem vive entende. Assim como um homem jamais sentirá a dor de um parto, apenas quem está na linha de frente da segurança pública consegue compreender o peso emocional, psicológico e humano de vestir uma farda e enfrentar, todos os dias, uma realidade dura, muitas vezes ingrata.

Este não é um debate político. Não se trata de Congresso Nacional, deputados ou discursos ideológicos. Trata-se de algo muito mais sério: quem faz a lei ser cumprida e quem sente, na prática, as consequências de um sistema que muitas vezes falha com quem protege a sociedade.

Toda ação começa na rua: numa abordagem, numa prisão. Depois, o caminho passa por uma delegacia, pelo delegado, pelo escrivão, pelo inquérito policial. Ainda assim, o que se vê são criminosos reincidentes, com várias passagens pela polícia, retornando às ruas como se nada tivesse acontecido.

A pergunta é inevitável: que país é esse?
E mais: onde estamos errando?

Enquanto isso, pais de família já foram duramente penalizados por crimes de menor potencial ofensivo, alguns por situações banais, enquanto autores de crimes graves, hediondos e revoltantes contra a população encontram brechas, benefícios e decisões que geram indignação social.

A aplicação da lei, muitas vezes, parece ser mais rígida com quem erra pouco do que com quem insiste em viver à margem da legalidade. Diante disso, surge outro questionamento necessário: a culpa é apenas da lei ou também de como ela é interpretada e aplicada?

Não se trata de caça às bruxas, tampouco de atacar instituições. A reflexão precisa ser coletiva. Policiais, operadores do Direito, integrantes da Justiça e formadores de opinião precisam, talvez, repensar práticas, entendimentos e responsabilidades.

É impossível assistir a tanta dor, revolta e frustração e permanecer em silêncio. Alguém precisa levantar a voz. Alguém precisa dizer que assim não dá para continuar.

Se não houver mudanças reais, o país seguirá refém de um ciclo perverso, onde a sensação de impunidade cresce e a lógica do “quanto pior, melhor” se impõe sobre quem trabalha corretamente e sobre uma sociedade cada vez mais cansada.

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