Jornalista fala em perda de poder aquisitivo; coronel rebate e diz que declaração foi distorcida — historiador da segurança pública entra no debate e faz resgate da história da Polícia Militar da Paraíba
Uma declaração sobre salários da Polícia Militar da Paraíba provocou forte repercussão e gerou um embate público entre o jornalista Tércio Alcântara e o comandante-geral da corporação, o coronel José Ronildo.
A controvérsia começou após a divulgação de um comentário do jornalista, no qual ele afirmou que existe um achatamento salarial na Polícia Militar e que os praças teriam perdido cerca de 50% do poder aquisitivo ao longo dos últimos anos de governo.
Segundo o texto divulgado por Dércio, um soldado que antes recebia o equivalente a mais de R$ 11 mil, hoje estaria recebendo cerca de R$ 5.593,00, o que, na visão dele, demonstraria um processo de empobrecimento dos servidores públicos estaduais durante as gestões de João Azevêdo e Lucas Ribeiro.
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Coronel Ronildo reage e diz que nunca falou em perda salarial
Diante da repercussão, o comandante-geral da Polícia Militar reagiu de forma direta e firme, negando que tenha feito qualquer afirmação sobre defasagem salarial ou perda de poder aquisitivo.
Em resposta pública, o coronel Ronildo declarou:
“Você está desqualificado. Lave sua boca para falar de mim ou colocar palavras que eu não disse. Sou um homem de respeito e honro aquilo que falo. Nada do que você escreveu saiu da minha boca. Assuma seus atos e responda por eles. A população da Paraíba conhece minha história e sabe diferenciar.”
O comandante explicou que, durante a entrevista concedida ao programa Arapuan Verdade, fez apenas um relato pessoal sobre sua trajetória profissional, afirmando que saiu de um salário mínimo antes de ingressar na Polícia Militar e passou a ganhar sete salários mínimos ao entrar na corporação.
Segundo ele, não houve qualquer menção a comparação de salários entre governos nem a números atuais de remuneração.
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Caveirão da Notícia entra no debate e faz resgate histórico da segurança pública
Quem também se manifestou sobre o episódio foi o repórter policial e comentarista de segurança pública Caveirão da Notícia, que fez um resgate histórico sobre a realidade da Polícia Militar em diferentes períodos da administração estadual.
Segundo ele, é preciso analisar a história com responsabilidade e lembrar que, quando o governo foi assumido pelo ex-governador Ronaldo Cunha Lima, ao lado do então vice-governador Cícero Lucena, o Estado enfrentava uma grave crise financeira.
De acordo com o relato, naquele período:
- policiais militares e servidores estavam com salários atrasados
- havia dificuldades estruturais na segurança pública
- o governo precisou reorganizar as finanças do Estado
O comentarista destacou que, após a regularização dos pagamentos, houve avanços na estrutura e valorização da corporação, além de investimentos que ajudaram a modernizar o serviço público e impulsionar o desenvolvimento do Estado.
Ele também afirmou que, ao longo dos anos, a Polícia Militar voltou a enfrentar momentos de dificuldade, com defasagem salarial e limitações estruturais, mas que, mais recentemente, houve avanços importantes na área operacional.
Entre os pontos citados:
- modernização dos armamentos
- viaturas climatizadas
- equipamentos individuais de proteção
- tecnologia de monitoramento
- centros de comando e controle
Mesmo assim, o comentarista reforçou que a valorização salarial continua sendo um desafio e uma necessidade permanente para motivar os profissionais da segurança pública.
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Debate reacende discussão sobre valorização da tropa
A polêmica trouxe novamente à tona um tema sensível dentro das forças de segurança: a remuneração dos policiais militares e o reconhecimento financeiro da categoria.
Apesar dos avanços estruturais e tecnológicos observados nos últimos anos, especialistas e integrantes da área de segurança pública apontam que a valorização salarial permanece como uma das principais demandas da tropa.
O episódio demonstra que o debate sobre salários, estrutura e reconhecimento profissional continua sendo central na discussão sobre segurança pública na Paraíba — e deve permanecer no radar do governo e da sociedade.




