Coronel Sobreira defende formação mais prática para novos condutores e afirma que prevenção pode salvar vidas; Caveirão da Notícia alerta para possível relação entre motocicletas, tráfico e atuação de organizações criminosas
O debate sobre segurança no trânsito precisa ir muito além da aplicação de multas. Essa é uma das principais conclusões da segunda parte do bate-papo com o coronel Sobreira, que defende uma mudança na forma como futuros condutores são preparados para assumir o volante ou pilotar uma motocicleta.
Para o oficial, não basta ensinar legislação, placas e regras de circulação. É preciso fazer com que o candidato à habilitação compreenda, de maneira concreta, as consequências de uma conduta irresponsável no trânsito.
Uma das propostas apresentadas por Sobreira é a criação de uma etapa de conscientização prática dentro do processo de formação dos novos condutores, permitindo que eles tenham contato com a realidade provocada pelos acidentes de trânsito, inclusive em unidades hospitalares especializadas.
A ideia é simples: antes de receber a habilitação, o futuro motorista ou motociclista deveria enxergar de perto as consequências que um acidente pode provocar.
“Eu vou conduzir uma motocicleta, vou conduzir um automóvel e preciso enxergar isso”, resume o coronel.
Prevenção antes da tragédia
Para Sobreira, a educação precisa funcionar como instrumento de prevenção. O objetivo não seria punir mais, mas fazer com que o cidadão compreenda que as regras existem para evitar que ele próprio, ou outra pessoa, termine vítima de um acidente.
O coronel também lembra que a formação de condutores já possui conteúdos obrigatórios relacionados à legislação de trânsito, relacionamento interpessoal e direção defensiva. Na visão dele, é possível ampliar essa preparação utilizando estruturas que já existem nos municípios.
Nesse contexto, ele aponta as secretarias de mobilidade e trânsito e seus setores de educação para o trânsito como possíveis instrumentos para colocar em prática ações educativas mais efetivas.
O barulho das motos pode esconder um problema maior?
Mas o debate não termina na educação de trânsito.
Na avaliação do Caveirão da Notícia, existe outro ponto que precisa ser observado pelas forças de segurança: a utilização de motocicletas em atividades criminosas.
O alerta não significa afirmar que motociclistas, de maneira geral, estejam envolvidos com o crime. Muito pelo contrário. A grande maioria dos trabalhadores e usuários de motocicletas é formada por cidadãos que precisam do veículo para trabalhar, estudar e se deslocar.
O problema está justamente naqueles que utilizam motocicletas para práticas criminosas e que podem tentar se beneficiar da dificuldade de fiscalização.
É nesse ponto que o debate sobre escapamentos adulterados, excesso de ruído, irregularidades e fiscalização precisa ser tratado também sob a perspectiva da segurança pública.
O Caveirão da Notícia chama atenção para um risco: enquanto o poder público enxergar determinadas ocorrências apenas como infrações administrativas isoladas, pode deixar de perceber outros sinais associados à criminalidade.
O alerta sobre as facções
O raciocínio apresentado é baseado em mais de três décadas de acompanhamento da área policial.
A preocupação é que o poder público não repita erros cometidos no passado, quando o avanço das organizações criminosas foi, em determinados momentos, tratado com silêncio ou minimizado.
Hoje, as facções criminosas representam um dos maiores desafios da segurança pública brasileira.
E é justamente por isso que o próximo capítulo do bate-papo será dedicado ao tema.
O coronel Sobreira afirma que conhece esse tipo de enfrentamento, que já vivenciou situações semelhantes no passado e que, caso chegue à Assembleia Legislativa, pretende apresentar projetos e defender medidas mais firmes contra o avanço das organizações criminosas.
O próximo capítulo
A discussão, portanto, deixa de ser apenas sobre trânsito.
Passa pela educação, pela fiscalização, pela prevenção, pela inteligência policial e, principalmente, pela capacidade do Estado de identificar problemas antes que eles se transformem em crises maiores.
A mensagem é direta: não se trata de ser “implacável” com quem conduz uma motocicleta ou um automóvel. Trata-se de cumprir a legislação, fiscalizar aquilo que precisa ser fiscalizado e, ao mesmo tempo, compreender quando uma ocorrência aparentemente simples pode esconder uma realidade muito mais preocupante.
Amanhã tem mais. O assunto será segurança pública, facções criminosas e o caminho defendido pelo coronel Sobreira para enfrentar esse problema.
Fica ligado.





