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Amazonas pode assumir papel estratégico na produção nacional de fertilizantes

Amazonas pode assumir papel estratégico na produção nacional de fertilizantes

Estado reúne reservas de potássio, fósforo e potencial para produção de nitrogênio, em um momento em que o Brasil busca reduzir a dependência externa de insumos essenciais para o agronegócio

A forte dependência brasileira de fertilizantes importados voltou ao centro do debate sobre segurança alimentar, competitividade do agronegócio e soberania nacional. Nesse cenário, o Amazonas aparece como uma região estratégica para ampliar a produção interna de insumos e reduzir a vulnerabilidade do país diante das oscilações do mercado internacional.

O tema é abordado pelo coronel da Polícia Militar e especialista em Política e Estratégia, Fabiano Bô, que chama atenção para uma contradição brasileira: apesar de estar entre as maiores potências agrícolas do planeta, o país ainda depende fortemente do exterior para obter fertilizantes indispensáveis à produção.

Segundo o artigo, o Brasil responde por cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes e está entre os maiores consumidores globais. Mais de 80% dos produtos utilizados internamente são importados. Culturas fundamentais para a economia, como soja, milho e cana-de-açúcar, concentram grande parcela desse consumo.

A situação é ainda mais sensível quando se trata do potássio. O texto destaca que o país importa aproximadamente 95% do cloreto de potássio que consome.

Amazonas entra no centro dessa discussão

É justamente nesse ponto que o Amazonas ganha relevância.

O estado possui condições para participar da produção dos três componentes fundamentais dos fertilizantes NPK: nitrogênio, fósforo e potássio. Entre os potenciais mencionados estão o gás natural para produção de amônia, reservas de fósforo e jazidas de potássio.

O Projeto Autazes é citado como um dos exemplos desse potencial, com previsão de produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de potássio por ano.

Para Fabiano Bô, porém, a oportunidade vai muito além da simples extração mineral. O desafio é fazer com que a riqueza encontrada no subsolo gere desenvolvimento dentro do próprio estado.

Isso significa investir em beneficiamento, indústria, pesquisa, tecnologia, formação profissional, infraestrutura e logística, permitindo que uma parcela maior da riqueza permaneça na região e gere emprego e renda.

Produzir não basta: é preciso garantir logística

Outro ponto destacado é a necessidade de pensar toda a cadeia produtiva.

Em um país de dimensões continentais, produzir fertilizante distante dos principais polos agrícolas exige planejamento para transporte, armazenamento e distribuição. Nesse aspecto, a posição hidrográfica do Amazonas e sua conexão com importantes corredores de transporte podem ser utilizadas estrategicamente.

O objetivo seria transformar recursos minerais em uma cadeia capaz não apenas de atender à demanda regional, mas também de se conectar às grandes fronteiras agrícolas brasileiras.

Desenvolvimento precisa respeitar questões ambientais e sociais

A exploração das riquezas minerais amazonenses também envolve um debate ambiental e social complexo.

O artigo menciona a atuação de organizações da sociedade civil, os questionamentos envolvendo o Projeto Autazes e a judicialização relacionada ao licenciamento e à consulta aos povos indígenas.

A defesa apresentada é de que desenvolvimento econômico e proteção ambiental não precisam ser conceitos opostos.

Projetos dessa dimensão, segundo o autor, devem reunir conhecimento técnico, licenciamento, fiscalização, tecnologia, segurança jurídica e cumprimento rigoroso das normas ambientais, além do respeito aos direitos das comunidades envolvidas.

Fertilizantes como questão de soberania nacional

O Brasil já estabeleceu como objetivo estratégico reduzir sua dependência externa por meio do Plano Nacional de Fertilizantes, com horizonte até 2050.

Nesse contexto, ampliar a produção nacional não representa apenas uma oportunidade econômica. Trata-se também de uma questão relacionada à segurança alimentar e à capacidade brasileira de manter sua produção agrícola diante de crises internacionais.

Para o Amazonas, o desafio é transformar uma vantagem geológica em uma vantagem econômica e estratégica, conciliando exploração responsável, industrialização, geração de empregos e proteção socioambiental.

A discussão, portanto, ultrapassa as fronteiras do estado. Em um país que ocupa posição de destaque na produção mundial de alimentos, garantir acesso aos insumos necessários para manter essa produção tornou-se uma questão de interesse nacional.

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