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De João Pessoa a Palmas e de volta: mais de 3,7 mil quilômetros e um alerta sobre a presença da PRF nas rodovias federais

Caveirão da Notícia passou por cerca de dez postos da PRF durante o percurso e relata ausência de fiscalização ostensiva visível em diversos pontos

Uma viagem de aproximadamente 3,7 mil quilômetros entre João Pessoa, na Paraíba, e Palmas, no Tocantins, ida e volta, transformou-se em um alerta sobre a presença ostensiva da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas rodovias brasileiras.

O relato foi apresentado durante o programa CPAD Notícias, da Rádio CPAD FM 96,1, pelo repórter policial e comentarista político da emissora, Emerson Medeiros, o Caveirão da Notícia, que percorreu o trajeto entre as duas capitais.

Durante a viagem, Emerson passou por aproximadamente dez unidades e postos da PRF. Segundo seu relato, em grande parte desses pontos não foi observada presença de policiais realizando fiscalização no momento de sua passagem.

Em alguns locais havia viaturas, mas, ainda assim, não foi possível visualizar agentes realizando abordagens ou fiscalização ostensiva.

O jornalista faz uma ressalva importante: a ausência de policiais visíveis no momento da passagem não significa necessariamente que as unidades estejam permanentemente abandonadas ou sem efetivo. Os policiais podem estar em ocorrências, em patrulhamento, em deslocamento ou desempenhando outras atividades operacionais.

O que chamou sua atenção foi a falta de presença policial perceptível ao usuário da rodovia em diversos pontos do percurso.

“Não estou culpando homens e mulheres da PRF. Não estou culpando inspetores, superintendentes ou patrulheiros. Estou mostrando que existe uma fragilidade que precisa ser discutida.”

“Eu fui e voltei sem ser fiscalizado”

Para Emerson, um dos aspectos mais preocupantes foi ter realizado todo o percurso de ida até Palmas e, posteriormente, o retorno a João Pessoa sem passar por uma abordagem da PRF.

A experiência provocou uma reflexão sobre a importância da fiscalização ostensiva nas rodovias federais.

“Eu fui de João Pessoa a Palmas e não fui fiscalizado. Voltei e já tinha a convicção de que também não seria. Isso é preocupante”, afirmou.

Segundo o jornalista, a função da PRF vai muito além da fiscalização documental de veículos e condutores. A presença ostensiva também representa prevenção, identificação de situações suspeitas e combate a crimes que utilizam as rodovias como corredores de passagem.

É justamente nesse ponto que Emerson questiona se os sistemas de inteligência e monitoramento, embora fundamentais, podem substituir integralmente a presença física do policial.

Inteligência não substitui completamente a presença humana

Durante o programa, Emerson apresentou uma situação hipotética para demonstrar sua preocupação.

Um veículo pode estar regularmente emplacado, o condutor pode ser habilitado e não existir qualquer restrição registrada nos sistemas de segurança. Ainda assim, uma situação criminosa pode estar acontecendo dentro daquele automóvel.

Uma pessoa poderia, por exemplo, estar sendo vítima de um sequestro e sendo transportada em um veículo aparentemente regular.

“Você pode estar sendo vítima de um sequestro dentro de um carro cuja placa está completamente regular. A inteligência pode identificar que está tudo certo com aquele veículo, mas não necessariamente saber o que está acontecendo dentro dele”, argumentou.

Para o jornalista, inteligência, tecnologia, câmeras e sistemas de leitura de placas são indispensáveis, mas não eliminam a necessidade do policial na estrada.

“A inteligência não pode ficar burra”, afirmou Emerson, em tom crítico, ao defender que tecnologia e policiamento ostensivo precisam caminhar juntos.

A PRF precisa ser fortalecida, não enfraquecida

Emerson fez questão de enfatizar que seu posicionamento não representa uma crítica destrutiva à Polícia Rodoviária Federal.

Ao contrário.

Segundo ele, a PRF é uma instituição séria, respeitada e formada por profissionais altamente capacitados.

“Eu não quero destruir a PRF. Quero justamente o contrário. Quero que ela seja fortalecida. Eu me sinto mais seguro quando vejo a PRF trabalhando”, afirmou.

A cobrança, portanto, é para que a instituição tenha condições de exercer plenamente sua missão.

O jornalista lembrou que, em trechos tradicionalmente percorridos por ele, especialmente na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, é comum encontrar uma presença mais perceptível do policiamento rodoviário.

A mudança de percepção ocorreu, segundo ele, principalmente quando avançou pelo interior de Pernambuco e seguiu em direção ao Tocantins.

Tocantins apresentou outra realidade

Já em Palmas, no Tocantins, a percepção relatada por Emerson foi diferente.

Nas rodovias estaduais, ele observou presença mais frequente da Polícia Militar do Tocantins, com viaturas realizando patrulhamento e fiscalização.

A experiência levou o jornalista a comparar os modelos de policiamento e a defender que a Paraíba também discuta formas de ampliar a presença policial nas rodovias estaduais.

Foi nesse contexto que, durante o CPAD Notícias, o pastor Eduardo Silva perguntou a Emerson se seria o caso de retomar na Paraíba a antiga Operação Amazuá, iniciativa que empregava policiais militares em ações de fiscalização e abordagem nas rodovias estaduais.

A resposta foi afirmativa.

“Se funcionava, por que não voltar?”

Para Emerson, a retomada de uma estrutura semelhante à antiga Amazuá poderia representar um reforço importante à segurança nas estradas paraibanas.

A proposta, segundo ele, não seria substituir a Polícia Rodoviária Federal, mas somar esforços dentro das respectivas competências.

“Se existe algo que funciona, por que não pode voltar? A Paraíba já teve essa experiência. É mais segurança para quem está viajando”, defendeu.

O argumento ganha força quando se considera que as rodovias são utilizadas diariamente por milhares de pessoas e também podem ser exploradas por organizações criminosas para movimentação de drogas, armas, munições e veículos roubados ou furtados.

Por isso, na avaliação do jornalista, quanto maior a presença policial nos corredores rodoviários, maior a possibilidade de prevenção e repressão ao crime.

Um alerta também ao Congresso Nacional

A discussão sobre a segurança nas rodovias federais não pode ficar restrita à direção da PRF ou ao Ministério da Justiça.

Ela precisa chegar também ao Congresso Nacional.

Deputados federais e senadores têm papel fundamental na discussão e aprovação do Orçamento da União e, consequentemente, nas decisões que influenciam a capacidade operacional das instituições federais de segurança pública.

O alerta feito durante o programa não é direcionado contra parlamentares individualmente. É um chamado para que o Congresso olhe com atenção para as necessidades da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal.

Se queremos uma PRF presente nas BRs, é necessário garantir condições para que seus homens e mulheres possam estar nas estradas.

Isso envolve efetivo adequado, viaturas, equipamentos, tecnologia, manutenção das unidades operacionais, combustível, estrutura e recursos para operações.

Da mesma forma, a Polícia Federal precisa contar com investimentos compatíveis com a dimensão dos desafios enfrentados no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e armas, às organizações criminosas e aos crimes que ultrapassam as fronteiras estaduais e nacionais.

O recado aos congressistas é simples:

olhem para a segurança pública federal com bons olhos e priorizem recursos para que essas instituições possam trabalhar ainda melhor.

Não se pode cobrar resultados extraordinários de homens e mulheres que, eventualmente, estejam trabalhando sob limitações de efetivo ou estrutura.

O policial não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Uma viatura não consegue ocupar simultaneamente diferentes trechos de uma rodovia. E tecnologia e inteligência, por mais avançadas que sejam, não substituem completamente a presença humana, o patrulhamento e a abordagem policial.

Por isso, a defesa apresentada por Emerson não é simplesmente por “mais dinheiro”.

É por investimento estratégico em segurança pública.

Cada recurso destinado ao fortalecimento das forças federais pode contribuir para ampliar a fiscalização nas rodovias, aumentar a recuperação de veículos roubados, retirar armas e drogas de circulação, combater organizações criminosas e, principalmente, proteger vidas.

Segurança nas BRs é responsabilidade de todos

A viagem de Emerson Medeiros não pretende estabelecer uma conclusão definitiva sobre o funcionamento da PRF em todo o território nacional.

É, antes de tudo, o relato de um motorista e jornalista que percorreu mais de 3,7 mil quilômetros e, em diversos pontos, não encontrou presença policial ostensiva visível no momento de sua passagem.

A pergunta que fica é:

Se o cidadão percorre milhares de quilômetros pelas BRs e não encontra a presença ostensiva da polícia em diversos pontos, estamos oferecendo a estrutura necessária para garantir a segurança dessas estradas?

Para Emerson, a resposta precisa ser discutida pelas autoridades responsáveis.

A tecnologia deve continuar avançando. Os sistemas de inteligência precisam ser cada vez mais eficientes. Mas a presença do policial na estrada continua sendo indispensável.

“Não quero destruir a PRF. Quero que ela seja fortalecida. Quero voltar a viajar pelas BRs e enxergar aquela polícia que nós conhecemos, respeitamos e admiramos”, resumiu.

O alerta, portanto, é dirigido a Brasília, ao Ministério da Justiça, à direção da PRF, à Polícia Federal e, especialmente, ao Congresso Nacional.

Que os homens e mulheres que estão na ponta tenham estrutura, efetivo e condições para cumprir aquilo que sabem fazer de melhor: proteger o cidadão, combater o crime e salvar vidas nas rodovias brasileiras.

O debate no CPAD Notícias

A discussão aconteceu durante o programa CPAD Notícias, da Rádio CPAD FM 96,1.

No estúdio estavam os pastores Eduardo Silva e Walter Menezes. Por telefone, participou o repórter policial e comentarista político da emissora, Emerson Medeiros, o Caveirão da Notícia, que apresentou aos ouvintes o relato da viagem entre João Pessoa e Palmas e fez um alerta sobre a necessidade de fortalecimento da segurança nas rodovias federais e estaduais.

O objetivo não é atacar a PRF. É defender a PRF. Não é diminuir seus policiais. É cobrar que tenham condições de exercer, com ainda mais maestria, a missão que a sociedade espera deles.

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