Crescimento da presença feminina no campo revela mudanças na economia rural, mas também evidencia desafios relacionados ao acesso a crédito, tecnologia, assistência técnica e espaços de decisão
A participação das mulheres no agronegócio brasileiro vem crescendo e ocupando novos espaços. Além de atuarem diretamente na produção rural, elas estão cada vez mais presentes na administração de propriedades, na comercialização, no empreendedorismo e em funções que exigem conhecimento técnico e capacidade de decisão.
Dados citados em artigo publicado no Jornal do Commercio, de autoria de Fabiano Bó, mostram a dimensão dessa transformação. No primeiro trimestre de 2025, o agronegócio brasileiro empregava aproximadamente 10,8 milhões de mulheres, o equivalente a 37,9% da força de trabalho do setor, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a ocupação feminina no setor apresentou crescimento de 1,6%, enquanto entre os homens a variação foi de apenas 0,01%.
Participação vai além da mão de obra
O avanço da presença feminina não se limita ao número de trabalhadoras. As mulheres também vêm assumindo funções relacionadas à gestão e às decisões econômicas dentro do agronegócio.
Elas estão presentes na administração de propriedades, condução de negócios, comercialização de produtos e representação institucional. No entanto, ainda existem obstáculos para que essa participação se transforme em maior presença nos espaços onde são definidas as políticas e os rumos do setor.
Entre os principais desafios estão o acesso ao crédito, assistência técnica, tecnologia, mercados e políticas públicas.
Políticas públicas precisam acompanhar transformação
O governo federal já desenvolve programas e iniciativas voltados às mulheres rurais. Entretanto, o artigo destaca que ações específicas precisam alcançar uma parcela maior das produtoras, gestoras e empreendedoras que atuam no campo.
Um dos exemplos citados é um programa voltado a mulheres que já alcançou mais de 10 mil participantes. Apesar dos avanços, o crescimento da força de trabalho feminina no agronegócio exige políticas com maior alcance e capacidade de atender diferentes realidades regionais.
A questão ganha ainda mais importância em regiões afastadas dos grandes centros, onde dificuldades de logística e distância podem interferir diretamente no acesso a serviços, mercados e oportunidades.
Mulheres do interior também criam seus próprios espaços
O movimento de organização feminina também aparece em iniciativas desenvolvidas na região amazônica. Um dos exemplos mencionados é o Encontro das Mulheres do Agro do Sul do Amazonas, que reúne mulheres ligadas à produção rural e promove discussões sobre organização, representação e participação na economia regional.
A iniciativa mostra que a mobilização feminina não depende exclusivamente das estruturas governamentais e pode surgir das próprias comunidades e organizações rurais.
Crédito e representação estão entre os desafios
Apesar dos avanços, ainda existe uma diferença entre a participação econômica das mulheres e sua presença nos espaços de decisão do agronegócio.
Para ampliar essa participação, é necessário que produtoras e empreendedoras tenham condições de acessar crédito, assistência técnica, tecnologia, mercados e instrumentos de representação.
A expansão da presença feminina no campo, portanto, não representa apenas uma mudança na composição da força de trabalho. Também aponta para uma transformação na própria estrutura econômica do agronegócio brasileiro.
À medida que mais mulheres assumem a produção, a gestão e os negócios rurais, cresce também a necessidade de políticas públicas e espaços institucionais capazes de acompanhar essa nova realidade do campo brasileiro.




