Mãe lutou pela transferência do filho, que aguardava tratamento cardíaco especializado; desfecho reacende debate sobre saúde pública e sobre o uso político da dor de uma família
TOCANTINS — A história do pequeno Kauan, de 5 anos, ganhou um novo capítulo neste fim de semana. Depois de dias de angústia, mobilização e cobranças, o menino foi transferido, na noite da sexta-feira (25), em uma UTI aérea, para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, em São Paulo, onde será avaliado por uma equipe especializada.
Kauan nasceu com uma malformação congênita no coração, possui apenas um ventrículo funcional e aguardava há cerca de dois anos pela realização de um procedimento cardíaco de alta complexidade. A criança estava internada no Hospital Geral de Palmas (HGP), e a situação mobilizou sua mãe, Laise Sousa Carvalho, que chegou a se acorrentar ao portão da unidade hospitalar para cobrar providências.
Após a manifestação da mãe, um relatório médico apontou a necessidade de transferência do menino para uma unidade especializada, considerando a gravidade e a complexidade do quadro. A transferência posteriormente foi viabilizada, encerrando uma etapa marcada por avaliações médicas, tratativas entre os serviços de saúde, medidas administrativas e decisões judiciais.
A mãe acompanhou o filho durante o deslocamento para São Paulo.
E, diante desse desfecho, fica acima de qualquer discussão política aquilo que realmente importa: Kauan está agora em outro centro médico, diante da possibilidade de receber avaliação e tratamento especializados.
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A DOR DE UMA MÃE NÃO PODE SER TRANSFORMADA EM PALANQUE
A Redação do Caveirão da Notícia manifesta sua solidariedade à mãe de Kauan, uma mulher que enfrentou uma situação extremamente difícil na tentativa de garantir tratamento para o próprio filho.
Ao mesmo tempo, é preciso fazer uma reflexão sobre a forma como casos dessa natureza são tratados nas redes sociais.
Não podemos brincar com a dor alheia.
Uma criança em situação delicada não pode ser transformada em instrumento de disputa política. A cobrança por atendimento público é legítima. A família tem todo o direito de buscar respostas, recorrer à Justiça e exigir providências.
Mas uma coisa é cobrar o poder público.
Outra, completamente diferente, é transformar uma situação de vida e morte em instrumento de ataque político, procurando culpados antes que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos.
A saúde pública brasileira é complexa. O Sistema Único de Saúde enfrenta dificuldades, filas, limitações de estrutura e enormes desafios, mas continua sendo uma das maiores redes públicas de saúde do mundo, atendendo milhões de brasileiros.
Por isso, casos como o de Kauan precisam ser tratados com responsabilidade, humanidade e respeito.
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A ATUAÇÃO DO ESTADO E A RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO
No caso específico de Kauan, as informações divulgadas mostram que houve participação de diferentes atores: família, médicos, hospital, Secretaria de Estado da Saúde, Justiça e serviços especializados.
A própria Secretaria de Estado da Saúde informou que vinha adotando providências para viabilizar o atendimento do menino fora do Tocantins. A transferência finalmente ocorreu na sexta-feira (25).
É justamente por isso que não se pode resumir uma situação tão complexa a uma única pessoa ou a uma única instituição.
O que deve ser cobrado é que todas as estruturas públicas envolvidas funcionem, que as decisões sejam tomadas com rapidez quando a condição clínica exigir e que nenhuma família precise chegar ao limite do desespero para conseguir atenção.
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COMENTÁRIO DA REDAÇÃO DO CAVEIRÃO DA NOTÍCIA
Como jornalista e como cidadão brasileiro, manifesto meu triplo fraternal abraço à mãe de Kauan, meu respeito pela sua luta e minha torcida para que o tratamento em São Paulo produza os melhores resultados possíveis.
Também faço questão de reconhecer o trabalho dos profissionais de saúde que estiveram envolvidos no atendimento da criança. Médicos, enfermeiros, técnicos, equipes de regulação, transporte e todos aqueles que participaram dessa operação lidam diariamente com situações extremamente delicadas.
Não podemos transformar profissionais que estão tentando salvar uma vida em personagens de uma guerra política.
Se houve erro, atraso ou falha administrativa, que seja apurado. Se houver responsabilidade, que seja identificada. Mas isso precisa ser feito com fatos, documentos, investigação e responsabilidade — e não através de julgamentos feitos nas redes sociais.
Da mesma maneira, também não se pode ignorar a angústia de uma mãe que passou por tudo aquilo.
As duas coisas podem coexistir: cobrar o Estado e respeitar quem trabalha no sistema público de saúde.
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WANDERLEI BARBOSA E O TOCANTINS
O episódio também provocou manifestações políticas e críticas ao Governo do Tocantins.
Neste ponto, a Redação do Caveirão da Notícia entende que é necessário separar a situação de Kauan de qualquer tentativa de transformar o caso em uma disputa política.
O governador Wanderlei Barbosa é o chefe do Executivo estadual e, portanto, naturalmente está sujeito à cobrança pública sobre as ações do Governo do Tocantins. Ao mesmo tempo, não é correto atribuir pessoalmente ao governador cada decisão técnica tomada dentro da complexa estrutura da saúde pública.
Ao longo dos últimos meses, Wanderlei Barbosa também tem aparecido publicamente em diferentes agendas relacionadas a demandas do Estado, inclusive em situações que envolvem questões cuja responsabilidade administrativa ultrapassa diretamente o Governo do Tocantins.
É nesse contexto que registro também uma percepção pessoal construída a partir das informações que tenho acompanhado e da experiência que tive recentemente em Palmas.
Embora eu ainda não tenha uma relação pessoal consolidada com o governador, tive a oportunidade de conhecer melhor a realidade tocantinense durante minha passagem pelo Estado e de conversar com pessoas que conhecem sua trajetória, entre elas o coronel Francinaldo Bo.
Minha avaliação pessoal é de que Wanderlei Barbosa demonstra uma disposição de estar próximo das demandas da população e de participar diretamente de discussões que chegam ao Governo, inclusive quando envolvem outras esferas de responsabilidade.
Isso não significa dizer que um governador esteja acima de críticas ou que não possa cometer erros.
Todo homem público precisa ser fiscalizado.
Mas também considero necessário que o reconhecimento de ações positivas tenha o mesmo espaço que as cobranças.
O Tocantins é formado por um povo trabalhador, determinado e que enfrenta, como tantos brasileiros, dificuldades econômicas e sociais. E qualquer governo que esteja à frente desse Estado precisa compreender a dimensão humana dessas demandas.
Foi justamente essa proximidade com as questões do cotidiano que chamou minha atenção durante a passagem por Palmas.
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NÃO É SOBRE PARAÍBA. NÃO É SOBRE TOCANTINS. É SOBRE O BRASIL.
Sou nordestino por adoção, moro na Paraíba há décadas, mas não consigo olhar para uma criança brasileira sofrendo e enxergar apenas a fronteira de um Estado.
Estamos falando do Brasil.
Kauan é tocantinense, mas poderia ter nascido na Paraíba, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Amazonas ou em qualquer outro Estado brasileiro.
A dor de uma mãe não tem partido.
A vida de uma criança não tem ideologia.
E uma UTI não pode ser palanque.
O que todos deveriam desejar neste momento é que Kauan tenha acesso ao tratamento necessário, que os médicos consigam fazer o melhor possível e que sua família encontre finalmente um pouco de paz depois de tantos dias de sofrimento.
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QUE DEUS ABENÇOE KAUAN
À mãe de Kauan, nosso respeito, nosso carinho e nosso abraço fraternal.
Ao menino, nossa oração.
Que Deus esteja ao lado dele durante todo o tratamento em São Paulo, iluminando os médicos e todos os profissionais responsáveis por seu atendimento.
E que essa transferência represente não apenas o fim de uma batalha burocrática, mas o começo de uma nova esperança para essa família.
Porque, no final de todas as discussões, existe algo que precisa permanecer acima de qualquer governo, partido ou disputa:
a vida de uma criança.
CAVEIRÃO DA NOTÍCIA
Jornalismo com informação, responsabilidade, humanidade e respeito pelo Brasil.



