Vereadora e ex-subprefeita de Jacarepaguá participa do “Papo de Elite” e coloca em debate problemas que ultrapassam as fronteiras do Rio de Janeiro
CAVEIRÃO DA NOTÍCIA | REPORTAGEM ESPECIAL
O que acontece quando o crime organizado começa a avançar sobre áreas residenciais, o poder público perde capacidade de reação e a população passa a conviver com medo, abandono e ocupações irregulares?
Essa foi a provocação apresentada pelo ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, conhecido nacionalmente por sua atuação na segurança pública e por ser um dos autores de Elite da Tropa, ao anunciar a participação da vereadora carioca Talita Galhardo no podcast Papo de Elite.
A conversa, anunciada para tratar de segurança pública no Rio de Janeiro, expansão do tráfico, ocupação irregular, gestão pública, saúde, corrupção e responsabilidade de agentes políticos, chama atenção porque reúne duas pessoas que, por caminhos diferentes, passaram a atuar diretamente no debate sobre os problemas de segurança e ordem urbana da capital fluminense.
E o assunto interessa não apenas ao Rio.
Interessa também aos demais estados brasileiros.
QUEM É TALITA GALHARDO?
Talita Galhardo é jornalista, tem pós-graduação em Gestão Pública e acumula mais de duas décadas de experiência no setor público. Foi subprefeita de Jacarepaguá entre 2021 e 2023 e atualmente exerce seu primeiro mandato como vereadora do Rio de Janeiro.
Foi justamente durante a passagem pela Subprefeitura de Jacarepaguá que sua atuação ganhou maior visibilidade.
A Prefeitura do Rio registrou operações de ordenamento urbano realizadas durante sua gestão, com participação da Guarda Municipal, Secretaria de Ordem Pública, Polícia Militar e outros órgãos. Entre as ações estavam a retirada de estruturas irregulares, fiscalização de estabelecimentos e combate a ocupações do espaço público.
Em entrevista publicada pela Associação Comercial Municipal do Rio, Talita afirmou que considerava a segurança uma das principais prioridades para a qualidade de vida e defendeu que as prefeituras também têm instrumentos para contribuir, especialmente por meio do ordenamento urbano e do combate às construções irregulares.
A EXPERIÊNCIA EM JACAREPAGUÁ
Um dos aspectos mais relevantes de sua trajetória está justamente na relação entre ocupação territorial, construções clandestinas e criminalidade organizada.
Em reunião de Conselho Comunitário de Segurança realizada em janeiro de 2025, Talita relatou que, durante sua passagem pela Subprefeitura, participou de cerca de 200 operações de demolição de construções irregulares e afirmou que algumas estavam relacionadas, segundo sua avaliação, ao tráfico e à milícia. O registro da reunião também mostra sua defesa de uma atuação mais firme do poder público sobre esse tipo de ocupação.
No seu próprio site, Talita afirma que foram mais de 200 operações de demolição de construções irregulares ligadas ao crime organizado e estima em R$ 1,2 bilhão o prejuízo provocado a essas estruturas durante o período em que esteve na Subprefeitura. Essa é uma informação apresentada pela própria parlamentar, e não uma estimativa independente verificada pela reportagem.
“SEGURANÇA PÚBLICA É ASSUNTO DE MULHER”
A preocupação com segurança também aparece em artigos assinados por Talita.
Em texto publicado em O Dia, em junho de 2024, ela defendeu que segurança pública também deveria ser tratada como uma questão diretamente relacionada à vida das mulheres. No artigo, abordou a Guarda Municipal, o cumprimento do plano de carreira dos agentes e o debate sobre o armamento da corporação.
Já em entrevista à Veja Rio, publicada em outubro de 2025, a vereadora falou sobre projetos e medidas relacionados à segurança e à administração da cidade, destacando sua experiência anterior em Jacarepaguá.
E ONDE ENTRA RODRIGO PIMENTEL?
A aproximação entre Talita Galhardo e Rodrigo Pimentel não parece ser apenas circunstancial.
Em janeiro de 2026, os dois apareceram juntos em uma corrida comemorativa pelos 48 anos do BOPE. O registro também mencionou a presença do então secretário da Polícia Militar do Rio, coronel Marcelo de Menezes.
Em 2025, Talita também concedeu uma medalha Pedro Ernesto a Rodrigo Pimentel, segundo registros publicados pela imprensa carioca.
Agora, os dois voltam a aparecer juntos no Papo de Elite, dessa vez para discutir os problemas que atingem diretamente o cotidiano da população carioca.
UM PROBLEMA QUE NÃO TERMINA NA DIVISA DO RIO
O ponto que merece atenção, na avaliação editorial do Caveirão da Notícia, é que determinados fenômenos urbanos não começam necessariamente com grandes confrontos armados.
Eles podem começar de maneira aparentemente silenciosa:
uma construção irregular aqui;
uma ocupação desordenada ali;
um serviço clandestino;
uma área pública abandonada;
a ausência do Estado;
a dificuldade de fiscalização;
e, gradualmente, a consolidação de novos espaços de poder.
É justamente nesse ponto que a discussão apresentada por Talita Galhardo ganha dimensão nacional.
Não significa afirmar que outras capitais estejam destinadas a repetir a história do Rio de Janeiro. Cada cidade possui sua própria realidade, instituições, características territoriais e dinâmica criminal.
Mas a experiência fluminense oferece questões que podem ser estudadas por outros municípios.
E a Paraíba, naturalmente, também pode acompanhar esse debate.
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📰 COMENTÁRIO DA REDAÇÃO DO CAVEIRÃO DA NOTÍCIA
O Rio de Janeiro não é a Paraíba.
João Pessoa não é o Rio de Janeiro.
Campina Grande não é Jacarepaguá.
E não seria correto transportar automaticamente a realidade de uma cidade para outra.
Mas existe uma lição que merece ser observada com atenção: segurança pública não começa apenas quando a viatura chega para atender uma ocorrência.
Ela também passa por planejamento urbano, fiscalização, ocupação regular do território, iluminação, presença do poder público, combate às construções clandestinas, integração entre instituições e capacidade do Estado de não permitir que determinadas áreas fiquem permanentemente à margem das regras oficiais.
É nesse sentido que o Caveirão da Notícia chama a atenção dos demais estados brasileiros — e, particularmente, da nossa Paraíba.
Não para criar medo.
Não para fazer comparações simplistas.
Mas para defender que prevenção, planejamento e presença do Estado precisam acontecer antes que determinados problemas se tornem muito maiores e mais difíceis de enfrentar.
O debate travado no Rio de Janeiro por pessoas como Talita Galhardo e Rodrigo Pimentel merece ser acompanhado justamente por isso: porque segurança pública deixou de ser um assunto restrito aos policiais.
É um assunto de toda a sociedade.
Que os demais estados brasileiros observem, estudem e tirem suas próprias conclusões.
E que a Paraíba continue discutindo segurança, urbanismo e políticas públicas com responsabilidade, planejamento e atenção permanente à realidade de cada município.
Porque prevenir é sempre diferente de correr atrás do prejuízo.
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