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SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É PASSE DE MÁGICA: COMEÇA DENTRO DE CASA!

SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É PASSE DE MÁGICA: COMEÇA DENTRO DE CASA!

Por Emerson Medeiros — Caveirão da Notícia

Segurança pública parece passe de mágica. É como uma partida de futebol ou uma Copa do Mundo: de repente, todo mundo vira técnico!

É impressionante! Cada pessoa quer entender mais do que aqueles que estudaram, se prepararam e estão diariamente na linha de frente, trabalhando para nos defender e proteger a sociedade.

Todos têm palpites, críticas e conclusões. Algumas, infelizmente, completamente equivocadas, porque poucos realmente conhecem a complexidade que envolve a segurança pública.

É dever do Estado, mas também é responsabilidade de todos nós.

E vou começar contando uma experiência pessoal para mostrar que segurança pública não se resume a cobrar governos, criticar policiais ou apontar erros dos outros. Ela começa, principalmente, dentro da nossa própria casa.

PRIMEIRA LIÇÃO: APRENDER A DIZER NÃO TAMBÉM É PROTEGER.

Como você age quando seu filho pede autorização para atravessar uma rua?

Vou contar o que aconteceu comigo.

Meu filho esteve ontem no Espaço Gospel, na Avenida Rui Carneiro, local que frequenta todas as sextas-feiras. Também faço questão de acompanhá-lo aos cultos de domingo.

Embora eu não sinta tanta necessidade pessoal de estar dentro de uma igreja, faço questão de acompanhar meu filho. E que Deus me perdoe se alguém interpretar mal minhas palavras. Não se trata de diminuir a importância da igreja, mas de entender que domingo também é um dia de convivência familiar e, infelizmente, de exposição a situações que exigem atenção redobrada.

Se não quero que o mal faça parte da minha casa e da minha vida, preciso fazer a minha parte para proteger quem amo.

Já temos aqui uma primeira lição!

Voltando ao que aconteceu ontem.

Meu filho foi ao Espaço Gospel antes de eu chegar. Autorizei que fosse de Uber. Ele já não é um bebê, tem 1,80 metro de altura e conhece algumas orientações importantes de segurança para utilizar um transporte por aplicativo.

Sabe onde deve se sentar, sabe que precisa compartilhar a corrida comigo, com a mãe e com vinte caveiras que são meus amigos de confiança. É isso mesmo: somente pessoas da nossa confiança!

Chegou ao destino por volta das 17h30.

Às 19h03, ouvi o telefone tocar. Era ele ligando para a mãe, que estava ao meu lado.

Ela perguntou:

— O quê? Você quer o quê?

Logo depois, ouvi meu filho perguntar:

— Mãe, posso atravessar a rua e ir ao mercado do outro lado comprar alguma coisa para comer?

Minha resposta foi imediata:

— Não! Não vai!

Ele questionou o motivo.

Então respondi no lugar da mãe:

— Você chegou aí antes das 18 horas. Teve tempo suficiente para me ligar, conversar comigo e perguntar como deveria proceder. Se tivesse feito isso antes, provavelmente eu não autorizaria você a atravessar aquela rua. Poderia pedir alguma coisa pelo iFood e mandar entregar aí. Agora você vai esperar o culto terminar. Quando terminar de servir, porque ontem você estava trabalhando nas câmeras da igreja, eu vou buscar você junto com sua mãe e levaremos você para comer alguma coisa.

Talvez alguém esteja se perguntando: isso é superproteção? O pai está exagerando? Está ficando louco?

Não!

Isso se chama responsabilidade paterna. É também a aplicação prática dos conhecimentos de quem estuda e trabalha com segurança pública.

Ao atravessar aquela rua, meu filho estaria exposto a uma série de riscos: trânsito movimentado, possibilidade de acidente, abordagens indesejadas e até situações de violência.

Ele tem 1,80 metro, é um rapaz forte, mas isso não significa que esteja preparado para enfrentar todas as situações que podem surgir. Eu mesmo treino e sei que, diante de uma ameaça, muitas vezes a melhor orientação é entregar os pertences e preservar a própria vida.

Então, se tenho a possibilidade de evitar uma exposição desnecessária ao perigo, por que não faria isso?

PAIS, APRENDAM A DIZER NÃO!

Sabe por que tantas famílias estão chorando hoje?

Porque, muitas vezes, os pais dizem sim para tudo. Aceitam qualquer comportamento, cedem a todas as vontades e confundem liberdade com ausência de limites.

É o famoso: “Ele já é homem! Deixe o menino sair! Deixe namorar! Deixe fazer o que quiser!”

Mas será que esses pais sabem para onde os filhos estão indo? Com quem estão? Que ambiente vão frequentar? Conhecem as pessoas que estarão ao redor deles?

Não basta dizer que o filho cresceu. É preciso ensiná-lo a viver, reconhecer perigos e tomar decisões.

Nem sempre um não é necessário, assim como nem sempre um sim é possível.

Aprendam a dizer não com a mesma facilidade com que dizem sim!

É melhor enfrentar a insatisfação momentânea de um filho do que, amanhã, enfrentar uma tragédia que poderia ter sido evitada.

CRITICAR É FÁCIL. CONTRIBUIR PARA A SOLUÇÃO É OUTRA HISTÓRIA!

Agora, faço algumas perguntas:

O que é mais fácil: criticar ou cobrar soluções?

Apontar de onde veio o erro ou ajudar a encontrar caminhos para corrigi-lo?

Acredito que todos sabemos responder.

Vivemos um momento em que as facções criminosas representam um problema sério para o nosso país. Não podemos ignorar essa realidade, mas também não podemos permitir que o medo tome conta da sociedade.

Particularmente, não alimento esse terrorismo psicológico. Não dou às ameaças e à intimidação o poder de controlar minha vida.

Na minha concepção, muitos desses criminosos são covardes que se alimentam justamente do medo, da intimidação e do descrédito da população nas instituições.

Isso não significa negar a existência do problema. Muito pelo contrário!

Precisamos enfrentar essa doença antes que ela se transforme em um câncer ainda maior na sociedade brasileira.

E precisamos fazer isso com inteligência, planejamento, políticas públicas, valorização das forças de segurança e participação da sociedade.

Também precisamos separar quem realmente conhece a matéria daqueles que se apresentam como especialistas sem nunca terem estudado profundamente o assunto.

A FAMÍLIA TAMBÉM É UMA LINHA DE DEFESA!

Acredito no poder de Deus, no poder da família, da escola, da educação e dos bons princípios.

Acredito na importância de ensinar nossos filhos aquilo que aprendemos com nossos pais: respeito, responsabilidade, disciplina e temor a Deus.

Precisamos cobrar deles aquilo que um dia também foi cobrado de nós.

Levar nossos filhos à igreja, à missa, ao culto ou incentivá-los a buscar a Deus, respeitando também suas escolhas e sua maneira de expressar a fé.

Precisamos cultivar momentos de oração dentro de casa e mostrar, por meio das nossas atitudes, que a fé não deve existir apenas quando estamos dentro de um templo religioso.

Depois vem a escola, o lazer, os passeios e a convivência social.

Quer levar seu filho ao cinema? Leve!

Quer levá-lo à praia? Vá!

Quer sair para uma pizzaria? Não existe problema algum!

Mas procure saber onde ele estará, com quem estará e como chegará ao destino.

Sempre que possível, incentive que saia acompanhado por pessoas de confiança ou em grupos que você conheça.

Oriente também sobre o cuidado com a ostentação, com objetos de valor e com comportamentos que possam chamar desnecessariamente a atenção de pessoas mal-intencionadas.

Outro ponto fundamental: acompanhe a vida escolar.

Saiba como estão as notas, conheça os professores, procure entender como seu filho se relaciona com os colegas e esteja atento às mudanças de comportamento.

Não espere um problema aparecer para começar a participar da vida dele.

Pai e mãe precisam estar presentes!

SEGURANÇA PÚBLICA É MUITO MAIS DO QUE POLÍCIA!

Não estou dizendo que devemos deixar de cobrar os políticos, os governantes e as autoridades responsáveis.

Muito pelo contrário!

Precisamos de políticas públicas eficientes, investimentos, planejamento, inteligência policial, valorização profissional e forças de segurança cada vez mais preparadas.

Devemos querer o melhor para o Brasil. Merecemos uma segurança pública de excelência, com referências nas experiências bem-sucedidas de outros países, inclusive da Europa e dos Estados Unidos.

Mas também precisamos entender que nenhuma polícia, por mais preparada que seja, consegue substituir a responsabilidade de uma família.

Não podemos terceirizar a educação dos nossos filhos, a formação do caráter, a imposição de limites e o acompanhamento da vida deles.

O Estado tem seu dever. A polícia tem sua missão. A escola tem sua responsabilidade. E a família tem um papel que ninguém poderá desempenhar em seu lugar.

A GRANDE VERDADE É QUE A SEGURANÇA PÚBLICA TAMBÉM COMEÇA NO PORTÃO DA SUA CASA!

O mundo lá fora será sempre um ambiente de desafios. Mas a maneira como nossos filhos enfrentarão esse mundo também depende daquilo que construímos dentro de casa, na mente, no coração e nos princípios que transmitimos a eles.

Não estou dizendo que teremos filhos livres de todos os perigos. Isso seria impossível.

Estou dizendo que podemos prepará-los melhor, ensiná-los a reconhecer riscos, tomar decisões e compreender que nem toda vontade precisa ser atendida.

E, principalmente, que o amor de pai e mãe não está em dizer sim para tudo.

Às vezes, o maior gesto de amor é dizer NÃO!

Este é apenas um dos pontos que envolvem a segurança pública. Em breve, voltaremos a conversar sobre outros aspectos dessa matéria tão importante para a sociedade.

Por enquanto, deixo uma reflexão:

Antes de cobrar que o Estado proteja seu filho, pergunte a si mesmo: o que você está fazendo para protegê-lo?

Porque segurança pública não é apenas um problema de político, governo ou polícia.

É também um compromisso seu, meu e de cada família brasileira.

Emerson Medeiros — Caveirão da Notícia

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