O Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Estado da Paraíba divulgou neste domingo (11) mais uma edição do projeto “Memória SINPRF”, trazendo recordações marcantes da história da Polícia Rodoviária Federal no estado, especialmente das décadas de 70 e 80, período considerado por muitos como uma verdadeira escola de combate ao crime nas rodovias federais.
Final dos anos 70: a equipe “pau pra toda obra”
Entre os nomes lembrados está a dupla formada pelos inspetores Monteiro e Martinho, conhecidos entre os colegas como a equipe “pau pra toda obra”, sempre presentes nas operações mais difíceis e nas missões de maior responsabilidade.
Outro destaque do informativo é a antiga carteira funcional do Inspetor Monteiro, emitida quando ele tinha apenas 24 anos de idade. O documento chama atenção pelos detalhes históricos, trazendo ainda o nome oficial da época: “República dos Estados Unidos do Brasil”, além da vinculação ao antigo Ministério da Viação e Obras Públicas, criado em 1906. A carteira é datada de 1968.
Anos 80: o sertanejo valente chamado Correia
O informativo também presta homenagem ao lendário Inspetor Correia, descrito como um policial vibrante, destemido e totalmente comprometido com o combate ao crime e a fiscalização nas rodovias.
Segundo os relatos, Correia saía da sede acompanhado de alguns policiais e, ao longo do percurso, passava recrutando agentes nos postos até formar verdadeiros comandos operacionais que atravessavam horas de serviço intenso. Quando essas equipes entravam em ação, os infratores desapareciam do trecho.
Era também a época dos históricos comandos de radar, quando os motoristas eram abordados “cara a cara” e recebiam pelo rádio a confirmação do excesso de velocidade, diretamente da equipe responsável pelo equipamento na Unidade Operacional.
O relato emocionante de Emerson Medeiros, “O Caveira da Notícia”
O repórter policial e apresentador do programa CPAD Notícias, da Rádio CPAD FM 96,1, Emerson Medeiros — conhecido como “O Caveira da Notícia” — fez um emocionante relato sobre sua convivência com o Inspetor Correia.
Segundo Emerson, ele conheceu o policial no início dos anos 90, no posto de Manguinhos, acompanhado da filha Tauane, que na época tinha apenas quatro anos de idade.
O comunicador relembrou o jeito único do inspetor:
“Uma brutalidade misturada com gentileza, carinho e humanidade ao mesmo tempo.”
Ainda de acordo com Emerson, após se apresentar ao policial e entregar seu telefone, ouviu uma resposta que jamais esqueceu:
“Vou anotar. Não que vá precisar… mas pode ser que algum dia eu lhe ligue pra gente tomar um café.”
A partir dali nasceu uma amizade construída ao longo de inúmeras entrevistas realizadas todas as segundas-feiras no antigo Plantão de Polícia da Rádio Tabajara, programa apresentado pelo saudoso Carlos Vasconcelos.
Histórias de rodagem e combate ao crime
Durante uma dessas conversas, Correia contou ao repórter um episódio marcante envolvendo um motorista que trafegava em alta velocidade.
Ao ser parado, o homem teria descido do veículo fumando charuto e usando chapéu de cowboy, afirmando:
“Diga logo quantos radares desses têm mais na frente… e pode fazer as multas que eu vou continuar na mesma velocidade.”
Correia realizou os procedimentos normalmente e seguiu firme em sua missão. Mais tarde, chegou a informação de que o motorista havia perdido o controle do veículo em uma curva.
Para Emerson Medeiros, o episódio simboliza bem o perfil do inspetor: firme, correto e comprometido com a preservação da vida.
Um homem à frente do seu tempo
O texto também destaca a atuação de Correia no combate aos transportes alternativos clandestinos, numa época em que muitas limitações legais dificultavam as ações policiais.
Mesmo assim, o inspetor fazia o possível para impedir assaltos, acidentes e tragédias envolvendo famílias que utilizavam veículos irregulares.
Descrito como visionário, Correia ficou conhecido por nunca prevaricar e por exigir que tudo fosse feito dentro da legalidade.
Essa postura firme fez com que fosse admirado por muitos e criticado por outros, inclusive dentro da própria instituição.
Uma amizade que atravessa décadas
Em um dos trechos mais emocionantes da homenagem, Emerson Medeiros revela que, mesmo após mais de vinte anos sem encontros frequentes, o carinho e a admiração pelo inspetor permanecem intactos.
O repórter ainda conta que sua filha Tauane não chegou a ser batizada porque a família escolheu justamente Correia para ser padrinho, mas o momento nunca foi realizado oficialmente.
Encerrando sua homenagem, Emerson definiu o amigo como:
“Um escolhido de Deus. Um homem blindado por tudo aquilo que Ele criou e colocou em nossos caminhos.”
A homenagem integra o projeto Memória SINPRF, iniciativa que busca preservar histórias, personagens e momentos importantes da trajetória da Polícia Rodoviária Federal na Paraíba.





