Comentário da redação — Caveirão da Notícia
Na madrugada desta quinta-feira, mais um policial militar tombou durante uma troca de tiros com integrante de facção criminosa. Mais um homem que saiu de casa para cumprir sua missão e não voltou para os braços da família.
E eu digo “mais um” porque, infelizmente, Santa Rita já conhece histórias como essa.
A memória, às vezes, parece curta — tanto para alguns repórteres quanto para alguns irmãos de farda. Mas é preciso puxar essa memória e lembrar que esse não é um episódio isolado.
Há cerca de oito anos, ou talvez um pouco mais, um sargento da Polícia Militar, conhecido como sargento da Silva, também foi assassinado enquanto realizava um trabalho de investigação na região do Loteamento, próximo à Casa dos Padres, no Conjunto Tibiri II.
E se voltarmos ainda mais no tempo, chegamos a 2015, quando um jovem tenente da Polícia Militar também foi assassinado em uma ocorrência cercada, até hoje, por questionamentos e circunstâncias que merecem ser lembradas. Era o tenente Ulisses, que também havia passado pelo 7º Batalhão de Polícia Militar.
Ou seja: estamos falando de vidas, de famílias e de policiais que tombaram no cumprimento do dever.
E a pergunta que não quer calar é simples:
Quantos policiais militares ainda terão que derramar o próprio sangue para que alguma coisa efetivamente seja feita?
Aqui eu citei apenas três histórias. Existem muitas outras.
Por trás de cada farda existe um pai, uma mãe, um filho, uma esposa, irmãos e amigos. Existem sonhos, projetos e uma família que espera aquele homem voltar para casa depois do serviço.
Não podemos simplesmente assistir a tudo isso de braços cruzados.
É verdade que não vivemos uma realidade como a do Rio de Janeiro, onde a violência provocada pelas organizações criminosas alcança proporções assustadoras. Mas isso não significa que devemos esperar a situação chegar àquele ponto para reagir.
Precisamos agir antes.
E eu faço uma pergunta diretamente ao governador:
Quando o senhor vai vir a público para falar sobre essa situação?
Porque quando acontece algo positivo, quando existe uma ação bem-sucedida, quando os números são favoráveis, as autoridades aparecem para comemorar. E está correto comemorar aquilo que funciona.
Mas quando um policial é morto, quando uma família perde seu ente querido e quando facções criminosas desafiam o Estado, também é preciso aparecer.
O que o Governo vai fazer?
Será que já não passou da hora de instalar comandos de crise e estabelecer estratégias permanentes em áreas onde a presença das facções e o enfrentamento aos policiais vêm se repetindo?
Quantos policiais ainda terão que tombar para que uma atitude mais firme seja tomada?
E digo isso sem nenhum demérito: se quem está à frente não entende suficientemente de determinada área, não há vergonha alguma em chamar quem entende para ajudar. Segurança pública exige conhecimento técnico, planejamento, inteligência, integração e decisão.
O que não podemos aceitar é transformar o enfrentamento ao crime organizado em uma simples brincadeira de “polícia pega ladrão”.
As facções criminosas se organizam, têm armas, dinheiro, inteligência, comunicação e território. Então o Estado precisa responder com organização, inteligência, planejamento e força dentro da legalidade.
Não podemos continuar vendo policiais que são pagos com o dinheiro dos nossos impostos saírem para defender a sociedade e não voltarem para suas casas.
Cada policial tombado representa uma família destruída.
Cada farda que deixa de voltar para casa representa sonhos interrompidos.
E cada morte sem uma resposta efetiva alimenta a sensação de que o crime está avançando.
Por isso, fica aqui a nossa cobrança, enquanto profissionais da comunicação e, acima de tudo, enquanto sociedade:
Já passou da hora de uma atitude drástica, planejada e permanente contra as facções criminosas.
Não basta bater palma quando dá certo.
Não basta divulgar números positivos.
É preciso agir quando um policial tomba.
Até quando vamos esperar para tomar uma atitude verdadeiramente à altura do problema?





