Artigos publicados no Jornal do Commercio, em Manaus, levantam uma discussão que vai muito além da tecnologia: instituições precisam ter estratégia, planejamento e capacidade de pensar no futuro
Uma página de opinião publicada pelo Jornal do Commercio, de Manaus, nos dias 3, 4 e 5 de outubro de 2026, chama atenção por reunir reflexões que, embora tratem de assuntos diferentes, acabam se encontrando em um ponto fundamental: o futuro precisa ser planejado hoje.
Entre os textos está o artigo “Estratégia e alinhamento institucional”, assinado por Daniel Nascimento, que apresenta uma discussão sobre transferência de tecnologia e demonstra que inovação não pode ser simplesmente a aquisição de equipamentos ou soluções modernas.
É necessário que exista alinhamento entre aquilo que uma tecnologia oferece, aquilo que a instituição realmente precisa e o resultado que pretende alcançar. Artigo do Coronel Fabiano Bó .pdf
O artigo trabalha quatro conceitos fundamentais: alinhamento estratégico, potencial de aplicação, maturidade tecnológica e objetivos da transferência. Artigo do Coronel Fabiano Bó .pdf
E é justamente aí que essa discussão ganha uma importância enorme quando transportada para a segurança pública.
Não basta ter tecnologia.
É preciso saber utilizá-la.
Não basta adquirir equipamentos.
É preciso preparar o profissional.
Não basta criar um projeto.
É preciso saber qual problema ele pretende resolver.
O texto ressalta que uma tecnologia pode ser tecnicamente excelente e, ainda assim, não produzir resultado se não estiver adequada à realidade da instituição que irá utilizá-la. Artigo do Coronel Fabiano Bó .pdf
O mesmo raciocínio vale para a segurança.
A POLÍCIA DO FUTURO COMEÇA A SER CONSTRUÍDA AGORA
E é aqui que o segundo artigo da página, assinado pelo coronel Fabiano Bo, ganha uma dimensão ainda mais interessante para o nosso debate.
Embora o texto do coronel trate do crescimento do agronegócio e da necessidade de transformar eventos, produção e oportunidades em desenvolvimento econômico permanente, existe uma ideia central que conversa diretamente com o debate sobre segurança:
não basta reagir ao presente. É preciso criar condições para o futuro.
O artigo mostra, por exemplo, que o crescimento das atividades agropecuárias precisa vir acompanhado de planejamento, infraestrutura, continuidade, tecnologia e capacidade de transformar oportunidades em resultados permanentes.
Essa mesma lógica pode — e deve — ser aplicada à segurança pública.
Uma instituição policial não pode viver eternamente apenas de reação.
Ela precisa antecipar.
Precisa estudar cenários.
Precisa investir em inteligência.
Precisa buscar tecnologia.
Precisa capacitar seus homens e mulheres.
Precisa integrar instituições.
Precisa construir mecanismos que permitam responder aos problemas que ainda nem chegaram.
E o artigo sobre estratégia institucional toca exatamente nesse ponto ao defender que inovação deve estar vinculada a necessidades reais, capacidade de aplicação e resultados concretos. Artigo do Coronel Fabiano Bó .pdf
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🎙️ DOCUMENTÁRIO DO CAVEIRÃO DA NOTÍCIA
“QUEM ESTÁ PREPARANDO A POLÍCIA PARA O DIA DE AMANHÃ?”
Existe uma polícia que o cidadão vê.
É a viatura passando.
É o policial fazendo uma abordagem.
É a operação acontecendo.
É o criminoso sendo preso.
É a ocorrência sendo atendida.
Mas existe uma outra polícia.
Uma polícia que o cidadão quase nunca vê.
É aquela que está dentro de uma sala discutindo tecnologia.
É aquela que está analisando dados.
É aquela que está estudando novos equipamentos.
É aquela que está pensando em treinamento.
É aquela que está discutindo integração.
É aquela que está tentando descobrir como será o crime daqui a cinco ou dez anos.
Essa polícia também protege.
E talvez proteja ainda mais quando consegue antecipar aquilo que está por vir.
É por isso que a matéria publicada no Jornal do Commercio nos chamou atenção.
Porque, quando se fala em tecnologia e inovação, existe uma tendência de imaginar apenas máquinas, equipamentos e sistemas.
Mas inovação verdadeira é outra coisa.
Inovação é transformar conhecimento em capacidade.
É pegar uma necessidade real e encontrar uma solução.
É fazer a tecnologia funcionar dentro da realidade daquela instituição.
É preparar o profissional para utilizá-la.
É medir resultado.
É aperfeiçoar.
É continuar avançando.
O próprio artigo destaca que tecnologia só produz valor quando encontra condições organizacionais, econômicas, operacionais e estratégicas para ser incorporada e aperfeiçoada. Artigo do Coronel Fabiano Bó .pdf
E é justamente essa mentalidade que o Caveirão da Notícia considera importante observar dentro das forças de segurança.
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COMENTÁRIO DA REDAÇÃO DO CAVEIRÃO DA NOTÍCIA
Aqui está o que mais chamou a atenção da nossa redação.
Nós estamos acostumados a falar de polícia quando acontece uma operação.
Quando existe uma prisão.
Quando uma quadrilha é desarticulada.
Quando uma investigação chega ao fim.
Mas existe um movimento silencioso acontecendo em algumas instituições que merece muito mais atenção:
a preocupação com o futuro.
E quando vemos oficiais pensando dessa maneira, nós precisamos reconhecer.
É o caso do coronel Francinaldo Bo, em Palmas, no Tocantins, que temos acompanhado de perto e que representa, na nossa avaliação, essa preocupação com uma segurança pública que não pode ficar presa aos métodos do passado.
E faço aqui uma ressalva importante: a associação do coronel Francinaldo Bo com essa reflexão é uma leitura editorial do Caveirão da Notícia; ela não está afirmada nos artigos publicados pelo Jornal do Commercio.
Mas é justamente essa leitura que queremos provocar.
Porque o que esses textos nos mostram é uma mudança de mentalidade:
o comandante moderno não pode pensar somente na ocorrência de hoje.
Ele precisa perguntar:
“Como estará a segurança daqui a cinco anos?”
Que tecnologia teremos?
Que tipo de criminoso enfrentaremos?
Como estarão nossas cidades?
Como estarão nossas fronteiras?
Como estará a inteligência policial?
Como estarão preparados os nossos policiais?
Como será feita a integração entre as forças?
E, principalmente:
o que estamos fazendo hoje para não sermos pegos de surpresa amanhã?
Isso é planejamento.
Isso é estratégia.
Isso é gestão.
Isso é visão de futuro.
E existe uma frase que resume muito bem aquilo que estamos querendo dizer:
Quem só prepara a polícia para o problema de hoje sempre estará atrasado diante do problema de amanhã.
O policial precisa estar na rua.
Mas o comandante também precisa estar na frente do problema.
Precisa enxergar o que ainda não aconteceu.
Precisa criar mecanismos.
Precisa buscar soluções.
Precisa estimular inovação.
Precisa aproximar a instituição de universidades, centros de pesquisa, tecnologia e outras forças.
Precisa entender que segurança pública não é uma fotografia.
É um filme em movimento.
E se o mundo está mudando em uma velocidade impressionante, o crime também está mudando.
O criminoso utiliza tecnologia.
Organizações criminosas utilizam informação.
O crime organizado atravessa fronteiras.
As ferramentas digitais mudam.
As cidades crescem.
Os desafios se transformam.
Então não podemos querer uma polícia preparada para o século XXI utilizando exclusivamente a mentalidade do século XX.
É aí que está a grande provocação dessa página do Jornal do Commercio.
Ela nos mostra que estratégia, tecnologia, planejamento e alinhamento institucional não são palavras bonitas de um artigo acadêmico.
Quando aplicadas corretamente, podem se transformar em capacidade real de proteção da sociedade.
E é isso que o Caveirão quer destacar.
Não estamos falando apenas de colocar mais policiais na rua.
Estamos falando de preparar esses policiais para uma realidade que ainda vai chegar.
Polícia na rua, sim.
Mas também polícia na universidade.
Polícia na pesquisa.
Polícia na tecnologia.
Polícia na inteligência.
Polícia na discussão de políticas públicas.
Polícia pensando estrategicamente.
Polícia construindo o amanhã.
Porque, no final das contas, a melhor segurança não é necessariamente aquela que mais aparece.
É aquela que consegue evitar que o problema aconteça.
E quando um comandante começa a pensar dessa maneira, talvez o resultado do seu trabalho não apareça imediatamente nas manchetes.
Mas poderá aparecer daqui a alguns anos, quando uma instituição estiver muito mais preparada para enfrentar aquilo que hoje ainda parece distante.
É disso que estamos falando.
Não é simplesmente comprar tecnologia.
Não é simplesmente criar novidade.
É preparar a instituição para o futuro.
E, para nós do Caveirão da Notícia, essa é uma das grandes discussões que precisam começar agora.
Porque quem cuida da segurança pública não pode olhar apenas pelo retrovisor.
Tem que olhar para a estrada.
E, principalmente, tem que enxergar a curva antes de ela chegar.
Caveirão da Notícia — porque enquanto alguns estão preocupados apenas com a ocorrência de hoje, nós queremos saber quem está construindo a segurança de amanhã.



