Tem momentos em que a sensação no Brasil é de completa inversão de valores. Enquanto famílias vivem aterrorizadas pela violência e comunidades inteiras sofrem com o avanço do tráfico de drogas, cresce também um discurso que tenta transformar criminosos em vítimas e colocar sobre os ombros das forças de segurança toda a culpa pela realidade da criminalidade.
A população honesta, que acorda cedo, trabalha, paga impostos e luta diariamente para sobreviver, muitas vezes se sente abandonada diante de um cenário onde o medo passou a fazer parte da rotina. Pais perdem filhos para o tráfico, jovens têm a vida destruída pelas drogas e moradores convivem diariamente com ameaças, facções e violência.
Diante disso, é impossível ignorar um ponto importante: menor envolvido com o tráfico não precisa ser tratado como herói, muito menos receber romantização por escolhas erradas. O que esses jovens precisam é de limite, educação, presença familiar, oportunidade, acompanhamento social e uma atuação firme da Justiça dentro da legalidade. Porque o tráfico não oferece futuro. Oferece prisão, sofrimento e, muitas vezes, morte.
Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer o papel dos policiais que arriscam a própria vida todos os dias para proteger a sociedade. O profissional de segurança pública que atua dentro da lei merece respeito e respaldo. Evidentemente, excessos devem ser investigados e punidos quando comprovados. Nenhuma instituição está acima da lei. Mas transformar automaticamente o policial em vilão apenas por exercer sua função também representa uma distorção perigosa da realidade.
O debate sobre segurança pública precisa ser feito com equilíbrio, responsabilidade e honestidade. Defender direitos humanos não pode significar ignorar o sofrimento das vítimas e das famílias destruídas pelo crime. Da mesma forma, combater a criminalidade exige firmeza, mas sempre dentro dos limites da lei.
O grande problema é justamente essa percepção crescente de que o errado virou “coitadinho” e o certo passou a ser tratado como culpado. Quando a sociedade começa a perder a capacidade de distinguir responsabilidade de impunidade, o resultado é o enfraquecimento da autoridade, o avanço do crime e o aumento da insegurança para quem apenas deseja viver em paz.





